Diário da Região

07/03/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Cultura do ódio

Painel de Ideias

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Polêmica. Eis a definição precisa para o conceito de apropriação cultural, a adoção de elementos de uma cultura dita oprimida por outra considerada usurpadora. Teóricos raciais adeptos do conceito condenam a opressão racial e as relações desiguais de poder existente em todas as esferas: política, econômica, educacional, cultural. De fato, o racismo existe e se relaciona a uma teoria infundada na superioridade de uma raça sobre a outra, com prerrogativas notáveis para os brancos. Sim, o mundo é racista, o Brasil é racista, e a discriminação constitui uma grande mazela global. Devemos considerar, ainda, as chagas da escravidão de africanos, o legado do regime de segregação do apartheid e a intolerância nos campos de futebol onde a bola divide espaço com bananas atiradas contra atletas negros. Tudo verdade. Ainda assim, como entender todos os aspectos da apropriação cultural?

“Moça, você não pode usar este turbante.” “Por que não? Indagou Thuane Cordeiro, jovem branca e em tratamento contra câncer, motivo de sua cabeça raspada oculta por um turbante comprado há pouco tempo na 25 de Março. “Você não é negra.” Foi a resposta das garotas negras que a interpelaram no metrô de São Paulo. Que fique bem claro um ponto crucial: a luta pelo empoderamento do negro e pelo fim do racismo é uma luta válida e de todos. Ainda assim, como entender o surreal diálogo acima reproduzido? Na internet, mundo virtual em que o anonimato deu voz aos imbecis, aos boçais e aos irascíveis, xingamentos contra a garota atingem níveis de sordidez inimagináveis.

No mundo todo, avolumam-se denúncias contra a apropriação. Alguns fatos: o estilista norte-americano Marc Jacobs levou à passarela modelos brancas com dreadlocks. Miley Cyrus cantou, dançou e gesticulou feito uma negra. Beyoncé imitou e estereotipou uma indiana. Tudo com o aval dos empresários capitalistas e donos dos meios de produção que dominam a mídia e a indústria. O movimento negro acusa estilista e músicos de usurpação de direitos. Seria mais plausível e mais autêntico um desfile com modelos negras usando dreads? Seria mais autêntico colocar uma mulher indiana vestida de indiana? E um gesto? Temos o gesto de apologia nazista associado ao branco opressor. E os punhos cerrados do movimento negro. Ainda assim, como definir um gesto de negro e um gesto de branco?

Na história, o choque cultural sempre existiu, com perdas irreparáveis para grupos oprimidos, escravizados, descobertos, vítimas de aculturação. E também houve trocas, assimilação, intercâmbio, admiração. Vejamos: romanos e gregos, europeus e americanos, ocidente e oriente. Tantos pares supostamente antitéticos e repletos de trocas. Perpetua-se o racismo no Brasil de maneira tão sórdida. Precisamos falar sobre isso. Na USP, um grupo polêmico promove ocupação e invade aulas para discutir o tema. Dúvida: cadê os negros na USP? Em Brasília? Nas escolas particulares? No desfile de Marc Jacobs? Como alcançarmos o bom senso sem que uma jovem seja ofendida na rua e nas redes sociais por usar um turbante? Precisamos incluir mais e segregar menos. Li que punks de raiz batem em punks de grife em São Paulo. Li que garotos gays acusam um rapaz heterossexual de apropriação cultural por usar camiseta rosa. Ou por cantar Madonna. Li e estou perplexo, preocupado com o rumo que a questão racial não resolvida pode tomar. Falta debate. E você? Usurpa cultura alheia, homenageia, incorpora, mistura tudo? Cadê o sonho do multiculturalismo?

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