Diário da Região

24/02/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

Ainda sobre os extremos

Painel de Ideias

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O caminho do meio, do equilíbrio, não vem traçado pela natureza, pronto, acabado. É preciso construí-lo, interminavelmente, como se fosse uma estrada sem fim. As tarefas de cultivar a parcimônia, a calma, a tolerância e de controlar o primeiro impulso, quase sempre assaz emocional e tendente ao equívoco, dependem da consciência permanente da busca pela medida das coisas.

Entretanto, hoje em dia, encontram-se grandes incentivos para se aproximar dos extremos. Nas redes sociais, por exemplo, diante de um ambiente onde impera a suspeição, uma maneira de ficar de fora - e ainda adquirir uma moral superior, uma imagem de integridade - vem associada à postura de acusador implacável. Subentende-se mais ou menos assim: se sou denunciante, e quanto mais rigoroso, certamente não estou entre os implicados.

Essa tática, muitas vezes assumida sem plena consciência de sua forma, por um lado, acaba criando um grande número de denunciantes que, com o passar do tempo, tornam-se equivalentes e, assim, prosaicos, o que provoca a corrida, num segundo momento, por quem é mais severo como incriminador. Por outro lado, se os suspeitos são os mesmos, para se distinguir entre os íntegros, consequentemente, amplia-se o rol dos culpados, em prejuízo de fundamentos, como no enredo de O Alienista, de Machado de Assis. Nessa atmosfera, evidentemente, não há segurança e paz.

Num dado a mais de dificuldade destes tempos intensos, quando se prega o respeito ao contraditório e à ampla defesa, princípios basilares e essenciais da procura pela justiça, não é incomum se assistir à lavratura de censuras sumárias. Taxa-se o pregador de conivente ou até de defensor indireto de desvios, repetindo-se erros graves, de um passado não muito distante, de condenações subjetivas e logicamente ilegítimas.

Como estagiário da defesa, na faculdade, e advogado, embora por menos de um ano, percebi rápido o quanto é importante tentar compreender os fatos em sua plenitude. Aprendi cedo que advogado não se confunde com réu, dentro daquela célebre premissa de que se ama o pecador, não seu pecado.

Reconhece-se, obviamente, que existe hoje um elevado nível de estresse social, que é pertinente, causado pela bandalheira galopante. Certo também que os limites da compreensão se transbordam, de modo que a atitude acusatória decorre quase que como sequência de fatos patentes, além de indícios, e não propriamente de uma opção. Ainda assim, podemos evitar o radicalismo, o histrionismo, a abordagem apedrejante.

Durante vinte anos de profissão, trabalhei com muitos promotores de Justiça, a quem lei confere a atribuição exclusiva de acusar, que me ensinaram que não deve haver ódio na inculpação, formulada sem adjetivações desnecessárias, sem esculachos ou humilhações, na exata medida da culpa, no tempo e foro adequados.

É possível se afastar do extremismo, parente da intransigência e coabitante da injustiça. Mas, como dito, esse é um exercício constante, vigilante e interminável, que pode ser aprimorado com o tempo, sujeito, ele mesmo, ao julgamento apressado e injusto.

 

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