Diário da Região

28/01/2017 - 00h00min

Painel de Ideias

My Way

Painel de Ideias

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Besta do Apocalipse, chato da vez, unanimidade interplanetária no quesito antipatia, Donald Trump consegue ser insuportável até em situações improváveis.

Com a sensibilidade de um urso panda em loja de cristal e a habilidade de um rinoceronte no brejo, ele fez os Estados Unidos corarem de vergonha com seu desempenho na dança no baile de posse.

Em seus braços, uma primeira dama impressionantemente bela que sonhava que o palco se abrisse para sumir chão adentro, bem longe daquele pesadelo inaugural. Tanto desconforto e tamanho descompasso ao som de My Way talvez nunca tenham sido observados aqui debaixo dos céus.

Nem mesmo nas cerimônias fúnebres dos britânicos, onde é comumente executada, a música My Way pareceu tão desoladora como foi ao embalar o desconcertado primeiro casal naquele instante. Faltou liga na emoção para o show de estreia.

Sobraram razões para o magnata presidente optar pela música imortalizada na voz de Frank Sinatra. Egocêntrico, autoritário, perigoso, obstinado. Individualista no pensar, no sentir e na forma como enxerga o mundo, Donald Trump apostou na mensagem da canção como um epitáfio em vida. Uma auto-homenagem, o coroamento supremo do seu próprio punho; vitória de sua única e inconteste maneira, estratégia.

A letra de My Way irritava Sinatra, que, dizem, chegou a odiar a faixa mesmo após sua popularização por achá-la “egoísta e autoindulgente”. Nada mais My Way, portanto, do que Donald Trump. Foi Claude François, popularíssimo cantor francês nos anos 60 e 70, o autor de “Comme d”habitude”. Paul Anka adaptou sua versão em língua inglesa para Sinatra fazer dela um hit.

Para quem ainda não conhece a letra, My Way é o relato de um homem próximo ao fim da vida. Numa tradução simples, diz mais ou menos o seguinte: “Eu vivi uma vida por inteiro, viajei por cada e em todas as estradas, muito mais que isso, eu fiz do meu jeito. Arrependimentos, tive alguns, poucos demais para mencionar. Fiz o que eu tinha que fazer, e fui até o fim, sem exceção. Eu planejei cada caminho do mapa, cada passo, ao longo da estrada. Fiz do meu jeito. Quando abocanhei mais do que podia mastigar, e com dúvidas, eu engolia e cuspia fora, enfrentei tudo e me mantive altivo. Fiz do meu jeito. Eu amei, sorri e chorei. Tive minhas falhas, minha parte de derrotas, e agora como as lágrimas descem, eu acho tudo tão divertido. De pensar que eu fiz tudo, talvez eu diga, sem me acanhar, eu fiz do meu jeito. O que é um homem, o que ele tem se não for a si mesmo, para dizer as coisas que ele sente de verdade, e não as palavras de alguém que se ajoelha. Os registros mostram que eu recebi as desgraças e fiz do meu jeito.”

Então é isso aí. O baile acabou, mas a música ainda está no ar. Trump já começou a governar. Do jeito dele. Oremos.

 

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