Diário da Região

Sérgio Menezes Apesar da safra começar em agosto, alguns produtores devem antecipar colheita
Apesar da safra começar em agosto, alguns produtores devem antecipar colheita

Não raro recebo sugestões para falar deste ou daquele assunto que, na medida do possível, passo a desenvolver o assunto. Foi o que aconteceu com o último artigo, “Taiadão”, publicado na edição do dia 18/9, por sugestão de dois amigos, professor Antonio Carlos e o médico João Alberto. E assim muitas crônicas aqui publicadas são sugeridas pelos amigos leitores, como foi o caso desta crônica que hora inicio. Há tempos atrás, conversando com o meu padrinho de casamento Lelé Arantes, ele sugeriu que eu desenvolvesse um determinado tema. Fiquei de pensar no assunto. Por pura coincidência, o meu também cumpadi “Edmirsu” Zanetti, caipira de quatro costados, sugeriu o mesmo assunto e os meses se passaram. Confesso que a princípio fiquei preocupado, pois o assunto causa duplo sentido, mas como são dois grandes jornalistas e principalmente meus grandes amigos, resolvi pensar no assunto. Dia desses, na casa do Edmilson Zanetti, como não podia deixar de ser, sempre que nos encontramos falamos das nossas experiências infantis vividas na roça. O Zanetti é um jornalista de larga experiência no jornalismo na Capital, por onde atuou por mais de vinte anos. Em nossa cidade atuou aqui no Diário da Região e em outros jornais, mas nunca perdeu a sensibilidade e o amor da sua “Vila Adorfo”. Entre uma xícara de café e muitas lembranças, o meu anfitrião vai deixando fluir as emoções e reminiscências das suas aventuras de menino criado solto nas ruas poeirentas da vila em formação.


Conta emocionado da máquina de benefício de arroz do seu Nelson Magnani, onde brincava no seu interior, entre as sacarias de arroz beneficiados empilhadas esperando para seguir viagem de caminhão para São Paulo, e onde fez muitas estripulias. Fora da máquina, brincava com os coleguinhas de submergir no grande monte de casca de arroz por horas a fio. Sua emoção aumenta ainda mais quando lhe pergunto se ele alguma vez “pegou” bicho-de-pé e ele me responde com uma pergunta: E quem, morando na roça, nunca teve uma batata entre os vãos dos dedos, no “carcanhá” ou na sola do pé denunciando a presença do danado? Segundo o Wikipédia o Tunga penetrans, é esse o nome científico do bicho-de-pé, é um inseto sifonáptero, da família dos tungídeos. A fêmea fecundada penetra na pele do homem ou de outros animais, causando forte coceira e ulceração, que pode servir de porta para infecções. Nomes mais comuns: batata baroa, bicho-de-cachorro, bicho-de-porco, etc. Tirar o bicho-de-pé não era tarefa das mais fáceis. Havia, segundo o Zanetti, todo um ritual para retirar o “Tungas penetrans” de onde ele estivesse no corpo da vítima. Primeiro aquecia a ponta de uma agulha na chama da lamparina para “desinfetar” e, com muito cuidado, ia escavando o tecido em torno da “batata” até soltá-lo por inteiro. Depois lentamente, com a ponta da agulha, retirava-o deixando um enorme buraco na pele. Algumas pessoas usavam cinzas de cigarros para preencher o vazio deixado pelo bicho. Em alguns dias a abertura estava cicatrizada. Parece que foi ontem. Me vejo sentado num banquinho de madeira e minha mãe numa cadeira de palha, depois de lavar bem o meu pé e passar álcool no local, começava o ritual para a retirada da batata inteirinha, a qual era mostrada aos irmãos menores como se fosse um troféu. Pois é, amigos Lelé e “Edmirsu”, que saudade da coceirinha gostosa do bicho-de-pé esfregando no lençol de nossas doces lembranças infantis...


JOCELINO SOARES Artista plástico. Membro da Academia Rio- Pretense de Letras e Cultura (www.jocelinosoares.com.br)


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