Diário da Região

Coutinho Cavalcanti foi prefeito rio-pretense por vinte dias, em abril de 1935, período suficiente para colocar a cidade de pernas para o ar. Naquele tempo, os prefeitos eram nomeados de acordo com a simpatia dos interventores federais designados por Getúlio Vargas. Por sorte, Rio Preto teve algumas nomeações valiosas, como as de Gilberto Lopes da Silva, Synésio de Mello e Oliveira, Mário Valadão Furquim, Cenobelino de Barros Serra e Ernani Pires Domingues. Todos médicos. Coutinho ocupou o posto numa folga de Synésio, que estava no cargo desde 6/9/1933, e uma de suas primeiras providências foi baixar o Ato nº 12, determinando o fechamento do comércio aos domingos e jornada diária de oito horas. Era uma afronta aos comerciantes. De orientação marxista, Coutinho tinha uma forma peculiar de servir ao povo: não costumava cobrar suas consultas. Entretanto, o povo sabia como agradecer e o elegeu sucessivamente deputado federal, até falecer no cargo, em Brasília, em 28/11/1960. Antes, em 15/3/1936, foi eleito vereador no Partido Constitucionalista (PC). Eram 13 vereadores; sete do seu grupo.

Número suficiente para garantir sua eleição indireta ao cargo de prefeito. Foram seis meses de agonia política, com uma traição partidária anunciada. Todos comentavam que José Mendes de Oliveira, ?Zé Prudêncio?, vereador eleito pelo PC, votaria no seu adversário, Victor Brito Bastos, em nome de uma velha amizade. Coutinho acreditou até o final de que o correligionário não roeria a corda. Coutinho perdeu a eleição por um voto. ?Zé Prudêncio? votou no velho amigo e logo depois renunciou à vereança. Em 10/11/1937, veio o Estado Novo e todos os vereadores foram cassados. Coutinho foi eleito deputado federal em 1947. Ele tinha uma virtude que poucos marxistas conseguem dominar: o trânsito livre no meio da burguesia. Por duas vezes (1937 e 1950) foi presidente do Automóvel Clube, que reunia a nata da burguesia rio-pretense. Foi diretor do Santa Helena, fundador do Aeroclube, vice-presidente do Club Comercial e dono do jornal A Tribuna. Conquistou, nos anos 40, para o distrito de Engenheiro Schmitt, onde morava, a instalação do Ginásio São José (agora colégio), com a ajuda do seu amigo, o agostiniano Vito Fernandez. O prédio hoje abriga o Asilo Deolindo Bortoluzzo.

Em 1953, cursou a Escola Superior de Guerra (ESG), na ?Turma Pandiá Calógeras?, tendo como colegas Ernesto Geisel, Teixeira Lott, Austregésilo de Athayde, Ranieri Mazzilli e Virgílio Távora. Em 14/4/1954, apresentou seu famoso projeto de Reforma Agrária que teria sido aplicado por Fidel Castro, em Cuba, por meio dos esforços de ?Che? Guevara. Este projeto, sob o nº 04389, tramitou no Congresso Nacional até ser arquivado em 15/4/1971. A reforma agrária de Coutinho Cavalcanti foi impressa em livro e hoje é raridade editorial. Coutinho figura no seleto grupo de intelectuais aos quais Pedro Nava dedicou o seu livro ?Baú de Ossos?. Os dois foram amigos na adolescência. Os rio-pretenses precisam, urgentemente, recuperar a imagem de Joaquim Nunes Coutinho Cavalcanti, o maior homem público que nossa cidade já produziu, ao lado de Aloysio Nunes Ferreira Filho.

LELÉ ARANTES
Autor do Dicionário Rio-pretense e diretor do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Rio Preto.
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