Diário da Região

09/09/2015 - 00h00min

Painel de Ideias

Uma história real

Painel de Ideias

NULL Anna Cláudia Magalhães
Anna Cláudia Magalhães

As seis da manhã, o despertador toca. Ela se levanta cansada, é o último dia da semana. No caminho para o trabalho, passa em frente a uma fábrica, aquele é o caminho mais curto e ela está atrasada. Na esquina da fábrica, muitos homens aguardam o início do expediente.

Ela olha-os de longe, respira fundo e continua caminhando. Quando passa, eles analisam cada parte de seu corpo, como se ela fosse um pedaço decarne suculenta. Com a cabeça baixa, ela pode ver as bocas se mexendo, proferindo palavras que com certeza não a alegrariam naquela manhã. Ao contrário do que muitos pensam, ela não está se sentindo elogiada, mas acuada.

Ela chega ao trabalho. Quando serve o café que todos a esperam para fazer, o patrão a olha de cima embaixo e faz aquele velho e enjoativo convite para que os dois se encontrassem mais tarde, pois a mulher dele havia viajado. Ela sorri um sorriso amarelo e nega mais uma vez. Por dentro, ela sente uma imensa raiva por seu patrão constrangê-la daquela forma toda vez.

O expediente acaba e é sexta-feira. Ela se arruma e sai para se distrair com as amigas. Na festa, um homem se aproxima. Ele pega em seu cabelo, ela tira. Ele pede um beijo, ela diz que não. Ele pega em seu braço com força, ela sai e diz mais uma vez que não. Ele pede para que ela pare de fazer charme, irritada ela grita: não! Ele a xinga e sai.

Depois da festa, ela tem que voltar sozinha até o ponto de ônibus, as outras amigas foram embora com uma carona. A rua até o ponto de ônibus é escura e ela caminha sozinha com medo. Escuta passos atrás, seu coração dispara... Com dor no peito, olha para trás e um alívio a invade, é uma outra mulher.

Acorda no outro dia com dor de cabeça. Uma gritaria em frente à sua casa despertou-a. Era seu ex-companheiro que havia descoberto sua divertida noite de sexta-feira. Ele estava possuído pelo ciúme. Não deu nem tempo de contê-lo, ele entrou em sua casa e a violentou de todas as formas possíveis.

Completamente desnorteada após o acontecido, ela se dirigiu até a Delegacia da Mulher para denunciar a violência. Quando chegou, foi recebida por um homem que tinha um olhar de descaso. A primeira pergunta que ele proferiu foi: “O que você fez para que ele fizesse isso?”

Essas palavras terminaram de machucá-la. Não era isso que ela gostaria de ouvir depois de tudo que tinha passado. Sem chão, ela se levantou e foi embora, desistiu da denúncia. Desistiu de gritar sem que ninguém a escutasse. Desistiu de um mundo que nunca a respeitava.

Essa é uma história fictícia, mas poderia ser real. Essa é uma realidade vivida por muitas mulheres todos os dias. Uma realidade que é normalizada, ridicularizada e diminuída pela sociedade. Uma realidade que culpa as mulheres e não conscientiza os homens. Uma realidade latente, dolorida e perigosa.

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