Diário da Região

22/11/2015 - 00h00min

Artigo

Éramos oitenta...

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Pierre Duarte NULL
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Há quase 60 anos, uma estrela brilhou no firmamento e o destino juntou-nos como calouros da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Éramos 80 jovens, na realidade muito jovens, e imaturos, em nossos 17-18 anos, porém cheios de energia, ansiosos para viver cada uma das maravilhosas verdades que só a Medicina poderia nos oferecer.

A partir de então, unidos pelo destino convivemos intensamente naquele ambiente de desafios e conquistas, que pouco a pouco moldaram nossos conhecimentos e nosso caráter.

Os seis anos passaram céleres, imersos nas 48 disciplinas que caracterizam o curso, desde as matérias básicas até aquelas clínicas, assegurando-nos a oportunidade do Internato e da Residência, mantendo-nos juntos por mais um tempo, embora separados de acordo com especialidade escolhida, mas sempre unidos pelo mesmo ideal.

O destino, mais uma vez, marcou a vida de cada um de nós. Muitos se dedicaram com brilhantismo à área acadêmica e de pesquisa, outros foram médicos que modificaram os ambientes por onde passaram, exercendo Medicina de homens e almas, como São Lucas, nosso padroeiro, tão bem descrito por Taylor Caldwell.

Ao longo da vida, recebemos elogios e críticas, erramos e acertamos centenas de vezes, curamos muitos, aliviamos as dores de tantos outros..., sempre com muito amor.

Praticamos o sacerdócio do qual nunca nos distanciamos e que somente a morte foi e é capaz de interromper.

Escrevo esta crônica sob o impacto do falecimento de mais um querido companheiro desta jornada. Desde o vínculo indelével dos 80 condiscípulos desta saga restam agora, menos da metade deles!

Quanta saudade...o tempo é inexorável e impiedoso. Parece que foi ontem que começamos nossa caminhada de toda a vida. Passou tão depressa... queria que durasse mais.

Partiu para o infinito mais um colega que, tendo terminado seu labor aqui, foi chamado a exercer seu mister em uma nova dimensão. Nas sábias palavras de São Francisco de Assis: "É morrendo que nascemos para a vida eterna", mas mesmo assim fico triste.

Conformo-me, contudo, lendo o poema de Santo Agostinho: “A morte não é nada. / Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. / Me deem o nome/que vocês sempre me deram, falem comigo/como vocês sempre fizeram. / Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, /eu estou vivendo no mundo do Criador. / Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. / Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. / Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. / A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? / Eu não estou longe,/apenas estou do outro lado do caminho.”Assim é a vida, cumprida a nossa missão temos que manter a fé, como disse o apóstolo Paulo na segunda carta a Timóteo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

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