Diário da Região

30/01/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Um leve sabor tânico

Painel de Ideias

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Minha primeira experiência com vinho na adolescência foi um desastre.

Para comemorar a virada de ano, compramos um garrafão do legítimo "Sangue de boi", doce, muito doce, e tinto de tingir os beiços, deixando uma camada roxa na borda do copo.

Três copos colocaram-me a nocaute. E quase apanhei em casa, ao chegar amparado pelos amigos. Passei décadas sem provar novamente a bebida.

A simples visão dos garrafões na prateleira dava-me arrepios. Com o passar dos anos, refeito do baque, voltei a provar vinho moderadamente, sempre tinto e seco.

O noviciado levou-me a investigar marcas, preços, tipos de uvas e regiões produtoras. E foi aí que encontrei uma nova diversão, que indico para aqueles domingos chuvosos e entediantes: ler críticas de vinhos. É muito melhor que suportar o ‘mala’ do Faustão.

São textos herméticos, ressalvo, mas recomendo-os. Não há mau humor que resista a uma leitura mais atenta.

O que queria dizer, por exemplo, o crítico que cunhou a expressão "um leve sabor tânico", para definir as características de um determinado tipo de vinho?

Amadeirado, frutado, amaciado, encorpado, volátil. Adstringente, floxado, fortificado... são apenas alguns termos a serviço de enófilos e enólogos, que adoram pronunciar-se em ‘vinicolês’.

Pior. Há leigos que juram entender tudo isso como um amigo que enviou mensagem fazendo esta descrição de um vinho argentino:

- Tomei ontem um tinto frutado de taninos acentuados. O aroma primário lembrava uvas frescas e maduras, o secundário trazia a sensação olfativa da fermentação, o terciário um 'bouquet' incomparável.

Descobri que ele havia lido o mesmo rótulo que eu.

Antes que ele desatasse a contar sobre o ‘equilíbrio’ e a ‘maceração’ do produto cortei a conversa e corri ao glossário de uma entidade nacional de apreciadores de vinho.

Encontrei lá, enfim, a explicação para a expressão intrigante:

“...taninos são compostos fenólicos, caracterizados por sua capacidade de combinar-se com as proteínas e outros polímeros como os polissacarídeos. Esta característica explica sua adstringência causada pelas precipitações das proteínas e das glucoproteínas da saliva..."

Não ajudou muito, mas confesso que fiquei menos ignorante no assunto que há trinta segundos.

Outro amigo, que começou a frequentar confrarias de vinho, destacou em bate-papo o ‘retrogosto’ de uma determinada marca. E ainda olhou com desdém para minha expressão de espanto.

Era mais um iniciado no mundo dos vinhos. Com ar superior, ele indagou:

- E qual é a sua marca de tinto preferida?

Pensei em tomar emprestada a afirmação do enólogo americano Robert Parker, um dos mais prestigiados do planeta, para quem “vinho bom é aquele que o bebedor toma e gosta”.

Mas preferi provocar, indo direto ao ponto:

- Pra mim, o melhor vinho é o sub-20... Sub 20 reais, o único que cabe no meu bolso.

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