Diário da Região

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Em dezembro, mais uma leva de presos foi brindado com a "saidinha" para passar os festejos natalinos em casa. Já virou tradição receber a visita de um desses presos para pedir auxílio financeiro. A justificativa é sempre a mesma: visitar o pai em Goiânia. Sempre ao receber, o rapaz diz: "Estou pagando minha dívida com a Justiça. Quero ser gente!" 


Mas desta vez, perguntei:"E por que você não vira gente?" (Fiquei assustado com a agressividade da minha pergunta, porém a fala foi macia). 

Ele respondeu: "Na vida não tive educação e nem estudo". 


Após alguns segundos, observei que sua resposta foi mais completa do que dos educadores de escrivaninhas e de políticos em busca de suas eleições. Realmente educação e ensino são duas coisas distintas. Embora que o ensino tenha sua parte educativa, a educação em si não necessita, de fato, do ensino. 


Há pessoas que não tiveram o ensino burocrático, mas tem um amplo repertório de conhecimentos que a tornam educada. 
A recente ocupação de escolas em São Paulo por estudantes contrários à reestruturação do ensino me fez lembrar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando o técnico Vicente Feola fez a seguinte preleção no vestiário para os seus jogadores, antes de entrar em campo contra a União Soviética:


"Ô, Didi, você pega a bola no meio de campo e tabela com o Pelé até perto da grande área, aí você passa para o Garrincha que cruza em direção ao Vavá que vai estar na marca do pênalti. Ô, Vavá, do jeito que a bola vier, você a enfia no gol dos russos. Tá bom?" 


Garrincha, de pronto, questionou: "Mas o senhor tratou isto com os russos?" 


Foi justamente isto que não aconteceu aqui no nosso Estado: o secretário de Educação do governo quis introduzir um projeto de ensino sem tratar com os russos, no caso os estudantes. Deu no que deu. Parece que a evolução das coisas (comunicação, internet, chuteira cor-de-rosa, horário de verão, Lava Jato, pixuleco, dentadura transgênica, etc.) ocorreu por si só. Óbvio que não! Todos esses acontecimentos tiveram a participação das partes interessadas. É chegado o momento em que qualquer discussão política, notadamente sobre o ensino, deva ter a participação do maior número possível de estudantes e professores envolvidos. Evitando, entretanto, a manipulação corporativa e política de sindicatos e associações de professores, bem como a proteção paternalista de papais e mamães dos estudantes. 


Como isto deve ocorrer fica a cargo dos burocratas da Secretaria de Educação, pois são pagos também para pensar. É importante lembrá-los de que a reestruturação do ensino só terá sucesso se perguntarem a centenas de alunos de diferentes faixas etárias e diferentes séries escolares: Como você gostaria que fosse a escola? De que forma você gostaria de aprender, por exemplo, matemática, português e história? E assim por diante. 


Para finalizar, informo que Feola não tratou com os russos, e o Brasil ganhou o jogo por 2 a 0 com dois gols de Vavá. Realmente, para esse grupo de jogadores não havia necessidade de tratar com os russos, pois naquela época o mérito da escolha de uma seleção era o talento. Talento que falta aos nossos burocratas e políticos do momento.

 

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