Diário da Região

31/08/2017 - 00h00min

Artigo

O lago e suas barcas

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Guilherme Baffi Jarbas Brandini Dutra é pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Rio Preto
Jarbas Brandini Dutra é pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Rio Preto

A história política do Ocidente mostra que a Revolução Russa de 1917 e suas consequências foram um alerta para que a sociedade capitalista mudasse as relações sociais com o operariado e criasse um novo modo de convivência das duas classes, o Estado do Bem-estar Social. Em alguns países do norte da Europa, o novo modelo conseguiu produzir um tipo de socialismo democrático, que favoreceu o PIB do mundo anglo-germânico e o bem-estar social de cada cidadão.

Com a queda da União Soviética, a partir do Encontro de Montpelier, em 1947, na Suíça, a realidade econômica passou a ter um novo parâmetro teórico, definido pelas teses do Consenso de Washington (1989), que exigiam o enfraquecimento do Estado e, consequentemente, o esvaziamento do Estado do Bem-estar Social. Assim, a globalização ficou reduzida às relações de mercado, favorecendo alguns países e empobrecendo muitos outros. A Liturgia nos convida à reflexão e à conversão de atitudes na nossa vida pessoal, comunitária e social.

A mensagem do Evangelho é confirmada pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium, quando ele insiste numa economia que vise ao bem comum e que resolva o problema da pobreza da maioria dos habitantes do planeta, cujo número ultrapassa os 7 bilhões e meio.

Os dois primeiros séculos da Igreja dos Apóstolos são tempos de muita perseguição. Mateus entende bem essa situação e mostra que as soluções passam pela fé na presença garantida de Jesus – todos creem que o Ressuscitado está vivo – e na união de toda a comunidade. Aqui, também, a ordem é buscar o bem-estar de todos e não o de cada um em particular, mesmo que esse um seja o chefe, como Pedro, ou um grupinho de privilegiados, como um povo escolhido e favorecido, que exclui os demais.

Fica, assim, para nós, a lição da história política do Ocidente: quem aprendeu a verdadeira democracia, tira de seu baú coisas novas e velhas e faz uso útil e inteligente das mesmas, favorecendo o bem-estar da maioria. Não somos mais uma sociedade de heróis nem de soluções mágicas e individualistas; ou nos unimos na construção do bem de todos, ou vamos afundar, com barca e tudo! A imagem não se aplica somente aos cristãos, mas à sociedade como um todo.

Além da nossa Igreja, há muitas barcas – instituições, movimentos, comunidades, etc. – navegando pelos mares da vida. A maioria delas não leva o mesmo nome que a nossa. Não importa. Se nos sentimos privilegiados, é bom lembrar: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido” (Lc 12,48). Que todas elas tenham como grande causa o ser humano e a vida em todas as suas dimensões. Que todas elas hasteiem suas bandeiras com os sonhos e os nomes de dignidade, justiça, amor e paz.

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