Diário da Região

Edvaldo Santos NULL
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A notícia que os papéis de procurador da república e de advogado, desempenhados por uma só pessoa, foram misturados para salvar empresários da prisão (só que não), causaram indignação e estranheza tanto quanto antigas reportagens de médicos associados a mercadores de próteses desnecessárias. Ou da surreal condição de sócio de empresa funerária.

Como os fatos se mesclam, as notícias não podem ser dissociadas. Em outros tempos, a página de política era destinada a informações sobre os titulares de poder, seus atos, partidos, disputas, escolhas, eleições e conchavos para vencê-las. Agora, esses personagens - obviamente, nem todos - compõem quadrilhas, ou nelas orbitam como beneficiários diretos dos excrementos produzidos em assentos dos recônditos palacianos - mas, publicamente depositados em malas ou apartamentos.

Essas notícias parecem se ajustar às páginas policiais que tratam de assaltos, fraudes, golpes. E pode causar confusão entre fato de política e fato de polícia porque de uns tempos para cá passaram a ser a mesma coisa.

A página de economia vem preenchida com notícias de desfalques bilionários em empresas petrolíferas e conglomerados, jorrando fortunas para seus próprios diretores e dezenas de apaniguados, ou de empresas de construção que muito generosamente contribuíram para candidatos da desconstrução civil, ou de empresas de proteína animal que fizeram de conta cortar a própria carne para esconder a parte boa, deixando o resto à discrição dos urubus.

E até as colunas sociais trazem, além de sorridentes políticos manjados, altos e insignes ministros, seus filhos, mulheres, parentes e apadrinhados que se metem em situações conectadas àquelas falcatruas. Certos da impunidade, não confessam, mas também não conseguem gaguejar uma explicação pueril de seus atos de evidente favorecimento de seus autores. Isso vem mostrar que vige no país o regime demo-aristocrático.

Como essa repetição de notícias acachapantes e pesadas nos enfastiam, cansam demais e até deprimem, fortemente recomendo começar a leitura do jornal pelo obituário, como fazia Ernest Hemingway toda manhã com uma taça de champanhe, feliz pela animadora ausência do seu nome na lista.

Tenho a grande impressão que, depois disso, elas vão ficar bem mais leves, suaves. Como há notícia que você não morreu, outras notícias podem perder muito em importância e significado.

PS: O célebre escritor americano, aborrecido com a monotonia, acabou se matando com a própria espingarda. Era suspeito, -apenas suspeito- de passar informações aos russos. Um fim nada adequado para quem sequer exercia descaradamente a profissão de assaltante contumaz.

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