Diário da Região

12/07/2017 - 00h00min

Artigo

Paulo Moura

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Um dia qualquer de 1969. Cordeiro, um exímio clarinetista, segurando entre as mãos a sua clarineta, comentava sobre um instrumentista de Rio Preto: “É um ás da música. Não se limita ao sopro natural que faz vibrar sua clarineta. Empresta-lhe cor, sentimento e vida. Transcende a técnica e toca os corações. Não o satisfaz a interpretação convencional da partitura. Vai além das notas da pauta e cria seu estilo musical”.

Falava de Paulo Moura, compositor, arranjador de choro, jazz e samba, dos maiores nomes da música instrumental brasileira, nascido em Rio Preto em 15 de julho de 1932. Tocou com o pianista Arthur Moreira Lima, com Ary Barroso, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Maísa e outros “monstros” sagrados de nossa música. Paulo era assim como Clarice Lispector: não queria ter a indesejável limitação de quem vivia apenas daquilo que fosse possível fazer sentido. Possuía em si a verdade inventada: o especial jeito de instrumentalizar músicas, alçar voos por entre nuvens e misturar à melodia dos ventos os acordes de sua clarineta.

Magistral, ao acompanhar a cantora Maísa na canção “Até quem sabe”, do compositor João Donato, fazia deslizar os suaves acordes do seu saxofone, numa cumplicidade sensual com a plangente interpretação da “rainha da fossa”. E o que dizer de “Chorando Baixinho”, chorinho buliçoso, na espetacular apresentação com o pianista Arthur Moreira Lima, durante o “Kaiser Bock Winter Festival”, realizado em São Paulo, em 1997?

Vi pela tevê uma reportagem em que velhos amigos falavam do seu talento, reconhecido pelo mundo, ao conquistar o Grammy Latino para Música de Raiz, por seu trabalho em “Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas”. Paulo Moura morreu num fim de noite da segunda-feira, 12 de julho de 2010. Estava internado na “Clínica São Vicente”, no Rio de Janeiro, cidade onde residia com a psicanalista Halina Grynberg, sua mulher e empresária.

O Congresso Norte-Americano no dia de sua morte hasteou a bandeira nacional a meio mastro, homenageando um homem “que lutou pela união social contra o racismo e uniu as músicas das ruas àquelas vistas em concertos”! São José do Rio Preto, em 21 de junho de 2012, prestou-lhe homenagem ao inaugurar o Teatro Paulo Moura, anexo ao prédio da Swift.

Muito se dirá a respeito do grande músico, e eu acrescento que, além de excepcional arranjador, compositor e instrumentista, Paulo Moura foi da estirpe dos que engrandeceram o gênero humano. Um privilegiado que se enlaçou à música como árvores às raízes da mãe Natureza. Tal como Saramago, Paulo Moura desejava bom proveito para quem tem coração de ferro, mas o seu, de carne viva, sangrava todo dia a pulsar entre as notas musicais de sua clarineta! O Brasil, São Paulo e São José do Rio Preto, com seus outros filhos, “chorando baixinho” dirão sempre a Paulo Moura, “O mágico da clarineta”: “Até um dia... Até talvez... Até quem sabe”!

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