Diário da Região

06/09/2017 - 00h00min

Artigo

O dedo e o egoísmo

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Sabe a definição de egoísmo? “Amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem. Exclusivismo que leva uma pessoa a se tomar como referência a tudo; orgulho, presunção”.

Parece que a definição de egoísmo é a definição de alguém que conhecemos? Tenho certeza que pensou em alguém. Esposa, marido, sogra, irmã, filho, colega de trabalho, amigo, político, o falso religioso, o bandido, o famoso, o vizinho... Mas pensou em si mesmo? Provavelmente não.

Porque junto com o egoísmo vem a “Síndrome do dedo indicador”. Sabe quando apontamos o dedo para alguém? O dedo indicador? Para acusar, geralmente. Esquecemos que ao apontarmos um dedo, automaticamente direcionamos os outros quatro para nós mesmos. Ou seja, será que a acusação que fazemos ao outro não tem origem em nós? Ou o que exigimos de atitude no outro, negligenciamos em nossa vida? Porque são quatro dedos apontados para nós contra um direcionado para o outro... E isso se torna uma metáfora sobre o que somos e o que esperamos dos outros. Faz-nos refletir sobre se temos condição de exigir ou julgar definitivamente alguém com todos os vários defeitos e indecisões que temos.

Os defeitos alheios que apontamos podem ser diminutos frente ao que carregamos em nossa mente. Porém, o egocentrismo, o filhote do egoísmo, que nos faz vermos apenas o próprio umbigo, não nos deixa avaliarmos a própria conduta. Só que nos estimula a destacar com veemência o erro alheio. Isso é egoísmo, na definição do início do texto.

A metáfora que destaca a Síndrome do dedo indicador serve também para refletirmos sobre nossos desejos. Apontarmos um dedo para o que queremos, algo que talvez nos dê prazer momentâneo, vale a pena quando vemos os outros quatro dedos apontados para nós e as consequências de nosso ato? Será que aquilo que nos fará sorrir não instigará choro e dor para o outro? Prós e contras de nossos desejos e impulsos podem ser medidos pela quantidade de alegria e dor que causará não só para nós, mas para quem amamos, que convive conosco, e até mesmo para a sociedade.

O egoísmo nos impede de fazer esta avaliação de resultados. Imaginar quem sofre e quem goza com nossas ações. Importa, quando egoístas, o que nos satisfaz, material, física e mentalmente. Independente do raio de ação perpetrado pela nossa atitude.

Por isso que a Síndrome do dedo indicador nos mostra que o problema maior da humanidade não é a fome, a doença, a pobreza, a corrupção. Todos estes males são filhos do egoísmo. Rebentos vindos do pouco caso que o ser humano egoísta tem para com os resultados de suas ações. Se eu estou bem, que mal tem? Este é o lema do egoísta-mor.

Se analisarmos nosso cotidiano, veremos que tanto em nossa casa, no trânsito, no comércio, no trabalho e até no lazer presenciamos o egoísmo. Nosso ou alheio. E exatamente porque recebemos esta descarga de pouco caso, acabamos por fazer igual. Viramos espelho de quem é egoísta. E em alguns casos, o que refletimos pode ser pior do que a origem.

Quebrar este ciclo egoísta, pensando também nos outros e não só em nós mesmos, pode ser a saída para o que tanto se fala e pouco se faz: homens construindo uma sociedade mais solidária.

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