Diário da Região

15/06/2017 - 00h00min

Artigo

Supremo teatro

Artigo

NULL NULL
NULL

Acompanhar certos momentos recentes da vida nacional é tarefa que necessita prévia autorização médica de tanto que abalam o nosso emocional e, por consequência, a saúde. Assistir, ao vivo, o julgamento do processo de cassação da chapa Dilma-Temer, semana passada, foi um desses testes para cardíacos (mesmo, claro, já sabendo todos, de antemão, o placar favorável ao atual governo).

A descrença e a decepção da população com relação aos políticos têm migrado a passos largos rumo aos integrantes do Supremo Tribunal Federal, magistrados indicados pelos presidentes da República. Assim como a classe política, os senhores e senhoras de toga não se incomodam com a decepção coletiva, com a frustração generalizada e com a derrocada da nossa esperança. Sentimos o estômago enjoar, a visão se turvar, o coração bater em descompassos e a pressão arterial subir. E não apenas por conta do resultado final, mas pela absurda, vacilante, tímida, remendada e falha argumentação dos juízes contrários à cassação.

A impressão que se tem, na maioria desses julgamentos de juízes apadrinhados e não concursados, é de que se trata de um grande e bizarro teatro. Nesse caso do julgamento da chapa Dilma-Temer, o relator Herman Benjamim salvou a semana de ser ainda mais sofrida. Algumas de suas frases ficaram famosas e ganharam as redes sociais. Replico algumas delas como um tipo de conforto para aliviar a nossa descrença.

Alguns dos bons momentos do ministro-relator: “Só os índios não contactados da Amazônia não sabiam que a Odebrecht havia feito colaboração premiada.” “Aqui, na Justiça Eleitoral, nós não trabalhamos com os olhos fechados.” “Aqui, tudo começa como caixa 1 e termina como caixa 2.” “Ministro Gilmar Mendes, presta atenção aqui, por favor!” “O que não há nesse país é medo, se houvesse medo, isso aqui não teria acontecido.”

E, finalmente, ao dar seu voto à favor da cassação, e já com a consciência de que não seria seguido pela maioria, Herman sacramentou: “Eu como juiz recuso o papel de coveiro de prova viva, posso até participar do velório, mas não carrego o caixão.”

Esse julgamento, com toda certeza, passará para a história da Suprema corte como o mais absurdo dos resultados pela clareza das provas e imensidão dos fatos. Sobre isso a jornalista Renata Lo Prete foi enfática: “a chapa Dilma-Temer acabou absolvida por excesso de provas”. Para o senador Cristovam Buarque, “os juízes reconheceram o crime, mas absorveram o réu.”

Mas foi a advogada Janaína Paschoal quem disse a frase definitiva sobre o último espetáculo do Supremo Teatro: “em entrevista à Folha, Gilmar Mendes disse que não pode julgar ouvindo a opinião pública, mas nós só queremos que eles ouçam os autos.” Assim, só resta uma certeza, que é minha e do Brasil não apadrinhado e que não se envolve em falcatruas: Gilmar Mendes não passa de um ator medíocre e dissimulado.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso