Diário da Região

05/04/2017 - 00h00min

Artigo

Prorrogação e reeleição

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JOHNNY TORRES NULL
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“Lança o teu poema inocente sobre o rio venéreo engolindo a cidade. Sobre os casebres, onde os escorpiões se matam à visão dos amores miseráveis. Suga aos cínicos, o cinismo. Aos covardes, o medo. Aos avaros, o ouro. E, para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza.”

(Vinicius de Moraes)

 

Ab initio, usando a expressão latina, para dar ao artigo um certo ar de solenidade compensando, talvez, o que se lerá em seguida. A reeleição de quem já está no exercício do mandato é um dos assuntos a ser analisado.

Às vezes ocorre lá na “Ilusiolândia”, país geograficamente situado além das fronteiras da imaginação. Lá, como em Passargada, do mestre Manoel Bandeira, são todos amigos do rei, os banqueiros, os deputados e os pobres. Lá, deputados não vendem seus votos no Congresso, nem em troca de dinheiro, nem empréstimo em bancos oficiais, nem são nepotistas, nem gozam de aposentadorias especiais, não aumentam os próprios subsídios, entre outros privilégios.

Mas lá, é lá. Aqui é aqui. Com a diferença de que aqui, às vezes, o fazem, nem todos. Outra diferença é que ao lado dos bons existem outros escrachadamente prostituídos.

Analisemos com a isenção possível e necessária. A reeleição, quando se caracteriza por aumento do mandato, asfixia o aparecimento de novas lideranças, consequentemente, de novas ideias, de novas concepções.

Quem está no poder vai, sempre, usar a máquina para se beneficiar no pleito. Isso não ocorre? A discussão sobre hipocrisia fica para outra ocasião. Reeleição como fato político desserve a democracia.

Mesmo se tratando de reeleição para o Poder Legislativo, o deputado, o vereador terão, para trabalhar na campanha eleitoral posição de superioridade sobre o candidato catecúmeno que está começando. Por exemplo, a prorrogação de mandatos.

Há vocábulo mais adequado para definir as situações supracitadas do que sem-vergonhice para definir a situação?
 

“Mas a lei não permite,

Se a lei não permite,

Muda-se a lei,

Mas é antiético,

Isso é mero detalhe.”

(Assis Chateaubriand).

 

O que nunca se viu, nem se verá, é movimento para diminuir os mandatos. Suprimindo o idealismo e o patriotismo, em política, o espaço é ocupado pela falta de decoro e a supressão de qualquer resquício de ética.

Reeleição, quando no exercício do mandato, prorrogação, criação de privilégios, aposentadorias especiais, são filhas espúrias de um mesmo pai: o ignorante político de que falava Bertolt Brecht, o eleitor inconsciente.

No momento da gestação desses monstrengos, a mentira impera.

Rui, em sua concepção magistral, já o detectara quando dizia: “Cria-se um ambiente tal de “mentiraria” que, mentindo uns aos outros, os políticos não mais sabem se estão ou não estão mentindo”.

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