Diário da Região

07/03/2017 - 00h00min

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O professor em seu tempo

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Não olhar o dia em que nasceu e nem o dia em que se foi, olhar o seu tempo. Foi aluno e professor, exercendo suas funções a partir da segunda metade do século 20. Havia algo de diferente nele: olhos claros penetrantes, de muito pensar e pouca fala. Prudente ao extremo.

Certamente, a prudência foi sua maior virtude. Analisava demoradamente antes de decidir, mesmo quando pressionado por amigos. Por isso, com exceções, repetidamente se cercou de pessoas igualmente prudentes. Os mais afoitos eram excluídos.

As críticas nunca o incomodaram. Quando as ruas ficavam esburacadas, esperava o período de seca para consertar, não gostava de gastar o dinheiro público em vão. Ser prefeito depois do professor Antunes fez a alegria dos sucessores. O caixa sempre estava cheio.

Todos vão se lembrar da honestidade que ele dizia ser obrigação do homem. Em suas duas campanhas para prefeito, essa qualidade foi muito ressaltada, especialmente em sua segunda eleição, em 1992. Espalhamos outdoors com o termo em letras garrafais. Bastava como propaganda.

Quatro filhas, todas participantes da vida da comunidade. A esposa também professora. Moraram todos na mesma casa na rua Campos Salles. Ele era funcionário aplicado, trabalhando no mesmo emprego. Depois que deixou a Prefeitura, nas duas ocasiões, o Diário da Região publicou reportagem com ele voltando humildemente ao seu posto nos Correios.

Participava ativamente das redes sociais com seu tom moralizador. Ética e moral constituíram-se em pressupostos básicos de sua via pública. Foi um exemplo raro de dignidade. Estava inconformado com os rumos atuais da política brasileira.

Manoel viveu um período de transição, em geral, o mais difícil. Exerceu a política com paixão e idealismo e nunca teve do que se envergonhar. Poderia ter sido prefeito mais uma vez, mas o destino conspirou contra isso. Talvez tenha sido melhor, ele não se adaptaria a esses tempos estranhos.

Agora, a tarefa será investigar e divulgar sua história. As novas gerações têm muito a aprender com esse professor, no mais exato significado da palavra. Um mestre de humanidades, um raro exemplo de modéstia. Não deixa herdeiros políticos, mas bastarão os seus exemplos.

Nesses dias, todos estaremos com um sentimento de vazio na alma. Com a ausência do professor Manoel Antunes vai faltar alguma coisa de essencial na política rio-pretense. Em todas as latitudes deste Município se ouvirão lamentos profundos e manifestações de solidariedade, lembrando o caráter ilibado de sua marcante personalidade.

Perdão por ser pessoal no último parágrafo: fui vereador, seu líder no Legislativo e duas vezes presidente da Câmara Municipal, sempre no início do mandato de prefeito do professor Antunes (1983/1984 e 1993/1994). Aqui, contudo, só o tributo ao homem, professor, vereador e prefeito, do qual todos nós sempre nos orgulharemos.

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