Diário da Região

12/07/2017 - 17h13min

FIT 2017

A mulata não é mais a tal no espetáculo PROJETO bRASIL

FIT 2017

Jorge Etecheber/Divulgação Espetáculo autoral da companhia brasileira de teatro fala das mazelas brasileiras
Espetáculo autoral da companhia brasileira de teatro fala das mazelas brasileiras

'Diga a ele que eu, quando beijo um amigo, estou certo de ser alguém como ele é' (Gilberto Gil, Pai e Mãe)

Você já parou para pensar como um simples beijo na boca tem o poder de igualar as pessoas? Esse gesto, que pode vir carregado de afetividade ou erotismo, é capaz de equalizar as diferenças daqueles que o protagonizam, rompendo limites sociais, culturais e ideológicos.

Quando o beijo na boca se estabelece entre duas pessoas, não há distinção entre rico e pobre, negro e branco, bonito e feio, Montéquios e Capuletos... as diferenças se dissipam diante do reconhecimento do outro para além de convenções, normas, padrões e rótulos que criam verdadeiros abismos sociais entre os seres humanos.

No espetáculo PROJETO bRASIL, que a companhia brasileira de teatro, de Curitiba (PR), apresentou no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, o beijo na boca é o convite ao público para esse nivelamento que igualiza as pessoas. Uma metáfora instigante para refletir sobre a desigualdade que emerge da dinâmica social brasileira.

Quando o elenco do espetáculo desce para a platéia e começa a beijar as pessoas na boca, esse gesto, que provoca sensações diversas (do riso maroto ao medo de ser um dos alvos dos atores), estabelece, inicialmente, a igualdade entre artistas e público. Afinal, somos todos brasileiros, somos todos atores sociais de um país que enfrenta uma crise sem precedentes na atualidade.

No entanto, o beijaço da companhia brasileira de teatro acontece sob o discurso que legitima a lei que altera o Código Civil para reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo - uma das inúmeras problemáticas levantadas pelo grupo curitibano no exercício de escuta que realizou ao longo de dois anos em diferentes regiões do Brasil e que deu origem ao seu espetáculo autoral.

Ao ir a um espetáculo intitulado PROJETO bRASIL, a expectativa é a de encontrar um cenário pra lá de colorido, um clima tropical e artistas travestidos de Carmen Miranda. Mas, ao se deparar com a realidade da peça, o preto é a única cor estabelecida, da cenografia aos figurinos, evocando o luto de um Brasil morto pela violência, pela intolerância, pelo desrespeito, pela corrupção e pela desigualdade. 

Sim, o momento não é de festa e a mulata não é mais a tal num país em que o negro é considerado uma raça inferior e a mulher reduzida a um saco de pancadas.

O que mais me atrai nos trabalhos do grupo curitibano é o jeito 'fora da caixinha' de fazer teatro, rompendo com convenções e tradições históricas dessa arte para buscar uma obra que dialoga com a atualidade. E PROJETO bRASIL sintetiza essa identidade estética cunhada ao longo de quase duas décadas de trajetória. 

Não é tão agradável ver uma peça que fala do Brasil sem aquele colorido e aquele tom festivo que são peculiares de nossa cultura. Mas a realidade é essa, o momento é esse. E cabe a nós, brasileiros, dar cores e tons mais prósperos para alcançarmos efetivamente essa utopia de igualdade.

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