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O alto grau de contradição, incoerência e trapalhada cometido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em relação ao uso do extintor de incêndio nos veículos é um caso digno de virar tema para tese de doutorado no ambiente das mais avançadas instituições de ensino. A decisão de acabar com a obrigatoriedade do equipamento representa um desrespeito retumbante, considerando o histórico recente dessa imposição.

O problema não está no fim da exigência, até porque a necessidade da manutenção desse tipo de equipamento é bastante questionável - em circunstâncias normais, talvez pudesse soar até como solução. O problema está na forma com que decisões de grande impacto para a população são tomadas sem qualquer critério, desprovidas de convicção e até mesmo sem respaldo técnico para um tempo depois ser simplesmente desconsiderada.

O Contran passou os últimos meses não apenas deixando muito clara a imposição do extintor nos veículos como acrescentando outra exigência: a troca do modelo antigo, denominado BC, para uma versão mais moderna, a ABC, que seria recomendável por apresentar eficiência nos mais diferentes tecidos que compõem um automóvel. A determinação provocou uma correria às lojas especializadas e, como consequência óbvia, faltou produto para tanto consumidor. Quando o estoque era reabastecido, era imediatamente esgotado, a preços muito acima do mercado.

Como não estava fácil para encontrar o novo modelo, o Contran foi flexibilizando as datas e fixando novos prazos, para alegria dos comerciantes do ramo. Até que definiu 1º de outubro como definitivo para a providência, sob pena de multas e até apreensão do veículo. Ao melhor estilo Contran de gerenciar com a barriga, era previsível até que o prazo fosse esticado mais uma vez, e a perder de vista. Só que aconteceu algo ainda mais extraordinário, a decisão de que ninguém precisa mais se preocupar com isso. Alívio para quem estava em situação irregular, prejuízo para quem acreditou no órgão e gastou dinheiro à toa.

A desfaçatez é tanta que as autoridades ligadas a essa lambança nem se preocupam em apresentar uma explicação minimamente respeitosa. Em entrevista à TV Tem, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, justificou a decisão dizendo que no ano passado, de 2 milhões de acidentes com veículos no Brasil, 800 tiveram o incêndio como origem; e dos 800, em apenas 24 foi usado o extintor. “Não é correto penalizar o contribuinte com encargo pesado”, afirmou o dissimulado ministro. Como se o governo não tivesse feito exatamente isso o tempo todo até agora. E, pelo jeito, sem saber dessa inutilidade toda do equipamento até então obrigatório.

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