Diário da Região

22/09/2015 - 00h00min

editorial

A cara de pau não tem limite

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Imagine, leitor, um lugar totalmente imune à feroz crise econômica que há meses assola o País de norte a sul, com inflação nas alturas, salários minguados, desemprego à porta. Um lugar onde não faltam vagas, com salários polpudos, acrescidos de generosas comissões a título de “horas extras”, embora o verbo trabalhar nem sempre se conjugue entre todos mesmo durante o expediente ordinário. Onde não falta verba para comprar mobília luxuosa, nem combustível suficiente para dar a volta ao globo terrestre.

Esse oásis existe, leitor. São os Legislativos espalhados pela região. Obviamente só persistem na gastança porque quem custeia tudo é você, com os impostos que só fazem aumentar - agora a ideia é ressuscitar o cadáver da CPMF. Mordem o bolso do cidadão para manter padrões inaceitáveis numa crise econômica que se mostra cada vez mais severa e implacável.

A Câmara de Mirassol, por exemplo, mostra grande preocupação com seus funcionários. No ano passado, pressionada pelo Tribunal de Contas, a Casa fez concurso público para oito cargos. Mas, no momento de substituir os servidores comissionados pelos efetivos, a piedade parece ter se apoderado do coração do atual presidente, Daniel Sotto (PMDB), que decidiu manter todos os funcionários. Resultado: de 11 servidores, a Câmara de Mirassol passou a ter 18. Quatro advogados, dois zeladores, três escriturários. Tudo normal, segundo Sotto. Se o Tribunal criticar, ele demite os comissionados. Se não, fica tudo como está.

Em Rio Preto não é diferente. Desde que assumiu a presidência da Câmara, o vereador Fábio Marcondes (PR) abriu os cofres do Legislativo. Investiu R$ 2,3 milhões em equipamentos da TV Câmara e inchou a emissora, traço de audiência com 26 funcionários, que irão representar um rombo de R$ 2,6 milhões no orçamento deste ano.

A gastança desenfreada de Marcondes, que além de político é um rico empresário, se estende a compras de itens plenamente evitáveis em tempos de crise, como uma smart TV de mais de R$ 5 mil, 78 cadeiras giratórias e R$ 2 mil apenas para inscrever três servidores em curso de um único dia em Rio Preto.

Questionada pelo Diário sobre o porquê de tanto gasto em meio à crise, a resposta da assessoria de imprensa da Casa soa cínica: “A Câmara de Rio Preto acredita, investe e gera empregos em Rio Preto (sic), confiante de que a crise é passageira”. O que não parece passageiro é a paciência do cidadão com tamanha cara de pau. O cidadão honesto não suporta mais pagar o ônus de tantos gastos nababescos. É hora de entidades e de órgãos de controle como o Ministério Público agirem, pondo freios à gastança desenfreada. Às “casas do povo”, como as Câmaras gostam de ser denominadas, cabe o exemplo.

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