Diário da Região

08/12/2015 - 00h38min

Editorial

Vergonha da Educação

Editorial

Por livre e espontânea pressão de milhares de estudantes que passaram os últimos dias acampados nas escolas em protesto contra o projeto da chamada reorganização do ensino paulista, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi obrigado a recuar. Não sem antes ter ouvido o seu próprio secretário dizer que sente vergonha dos resultados da Educação. Pelo menos por enquanto, não haverá a propalada separação dos estudantes por ciclos de ensino - alunos do médio e do fundamental continuarão a conviver no mesmo prédio.

O agora ex-secretário Herman Voorwald, que pediu demissão ao saber do recuo do governador, apostava na reorganização como forma de libertar o Estado do que considera uma vergonha. "Tenho vergonha dos resultados que o Estado de São Paulo apresenta", disse ele, certamente fazendo referência aos indicadores oficiais, que sistematicamente vêm apontando alta deficiência de aprendizado. Ainda temos alunos que saem da escola sem saber o básico em língua portuguesa e matemática.

Tanto o ex-secretário quanto o governador, porém, resolveram acreditar que o sistema de ensino deixaria de ser vergonhoso simplesmente fazendo um monstruoso remanejamento de alunos. De repente, passaram a achar que o grande problema da Educação está na convivência de estudantes do ensino fundamental com os do ensino médio. Separando, conseguiriam direcionar atividades pedagógicas mais específicas e, de quebra, evitariam conflitos entre estudantes de diferentes faixas etárias.

Entre os argumentos estava um estudo apontando a existência de três mil salas ociosas, resultado da queda de 32% dos alunos da rede pública. Com isso, seria possível inclusive desativar 94 escolas no Estado e fazer a readequação. Era esse o resumo da revolução: melhorar a qualidade do ensino fechando escolas e mandando estudantes para mais longe, ainda que na coletânea de promessas estivesse o compromisso de manter a transferência para uma unidade localizada no máximo a 1,5 quilômetro da anterior.

O senhor Voorwald tem motivos para se envergonhar da Educação que ele mesmo ajudou a gerenciar desde 2010. Para reverter essa situação, que o Estado comece a considerar a hipótese de aproveitar as salas ociosas para redistribuir e reduzir o tamanho das turmas por classe numa mesma unidade. Que reveja conceitos de ensino sem causar mais transtorno. E que, de uma vez por todas, desenvolva um plano de carreira capaz de valorizar os professores e despertar o interesse de novos profissionais. Só depois disso vai dar para discutir, com um pouco mais de credibilidade, a conveniência da separação ou não separação por ciclos.

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