Diário da Região

24/11/2015 - 00h00min

Editorial

Os tribunais do crime

Editorial

O crime organizado está à espreita. Qualquer omissão do poder público e os criminosos avançam, subjugando populações de bairros inteiros. Que o digam o Rio de Janeiro e suas favelas dominadas pelo narcotráfico. Em Rio Preto, esse predomínio do crime sobre bairros da periferia, especialmente na zona norte, não é tão nítido. Mas investigação sigilosa do Gaeco, braço do Ministério Público que cuida do crime organizado, revelada no domingo com exclusividade pelo repórter deste Diário Allan de Abreu, mostra que, nas franjas da maior cidade da região, é o PCC quem substitui funções que seriam do Estado. Entre elas as de polícia e de Justiça.

Obviamente que, por se tratar de uma facção criminosa, a Justiça do Primeiro Comando da Capital é míope e cruel, muito parecida com a lei de talião - olho por olho, dente por dente. Ao aplicá-la, o Estado Islâmico tem horrorizado o mundo ocidental.

Mas é essa Justiça que moradores da periferia rio-pretense procuram para resolver imbróglios e buscar vingança. Em julho deste ano, três “irmãos” da facção se reuniram com o parente de um rapaz morto por enforcamento no bairro João Paulo 2º, zona norte de Rio Preto. “Qual providência você espera do comando?”, perguntou um integrante do PCC. “Quero ver ele (um dos assassinos) pagar da mesma forma (ser morto)”, respondeu o parente da vítima. “Vou montar o tabuleiro (conferência) certinho, consultar o escalão superior e concluir essa caminhada.”

Em março, a Polícia Militar impediu o provável assassinato de dois jovens acusados de homicídio no Parque da Cidadania, zona norte. “Achamos quem matou o Pedrinho”, diz um dos “juízes” do PCC na ligação interceptada pelo Gaeco. “O moleque encostou, sequestramos todo mundo, fomos no papo com o moleque e ele abriu o coração (confessou)” “Quem é?”, pergunta o interlocutor, não identificado pelos promotores. “(...) O moleque disse que quem matou foi ele. (...) Tá sequestrado, vamos parar de falar. Vem até aqui.” “Vou chegar chutando porque são safados.” Acionada, a PM invadiu a casa no Cidadania e flagrou o “tribunal”, que julgava dois rapazes.

Julgamentos desse tipo são a prova cabal da falência do poder público não apenas em relação à segurança, mas também no aspecto socioeconômico dessas populações mais carentes. Marginalizados, revoltados com a burocracia e a lentidão da Justiça “oficial”, buscam paliativos em grupos tão ou mais criminosos do que aqueles que procuram combater. Obviamente essa Justiça torta só trará mais violência, em um ciclo inexorável de barbárie. Só a ação firme do Estado pode eliminar os “tribunais do crime”.

Essa Justiça torta só trará mais violência, em um ciclo inexorável

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