Diário da Região

27/11/2015 - 00h00min

editorial

O escárnio venceu o cinismo

editorial

Ao pedir favores ao rei de Portugal na carta que documenta a chegada das caravelas de Cabral ao Brasil, há exatos 515 anos, o escrivão Pero Vaz de Caminha parece inaugurar nestas terras tropicais um modo muito particular de o cidadão relacionar-se com o Estado, baseado não na impessoalidade e isonomia, mas no personalismo e na cultura do favor, destinada a favorecer as elites e a perpetuar uma contínua desigualdade. A esse processo vicioso o sociólogo Raymundo Faoro batizou, em “Os donos do poder”, de patrimonialismo: a capacidade da elite estamental brasileira em satisfazer seus interesses pessoais por meio dos recursos do Estado, em detrimento do bem comum.

Nascida em 2013 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro por um doleiro instalado em um posto de combustível de Brasília - daí seu nome - a Operação Lava-Jato parece cada vez mais destinada a desnudar, como “nunca antes na história deste País”, o quanto nossa elite política e econômica ainda está apegada ao patrimonialismo, origem de toda corrupção. Não poderia ter sido mais simbólica a prisão, na manhã desta quarta-feira, dia 25, do senador Delcídio do Amaral, líder do PT no Senado, e do banqueiro André Esteves, um dos homens mais ricos do País, dono do BTG Pactual. Ambos são acusados pela Procuradoria Geral da República de oferecer vantagens ao ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, como uma “mesada” de R$ 50 mil mensais e uma espetacular fuga para a Espanha, via Paraguai, em troca do seu silêncio sobre a suposta participação do senador e do banqueiro nos escândalos nada republicanos ocorridos em mais de uma década na Petrobrás.

A divulgação pela mídia dos diálogos com as indecorosas propostas de Delcídio indignaram os brasileiros, já tão acostumados com escândalos políticos, ao ponto de não restar saída aos senadores, a não ser ratificar a prisão preventiva do petista, decretada pelo STF.

Curiosamente, um dia antes de ser preso, o senador revelou a pessoas próximas estar preocupado com o avanço da Lava-Jato sobre Lula - naquela terça, um amigo do peito do ex-presidente, o pecuarista José Carlos Bumlai, sul-mato-grossense como Delcídio, fora preso, acusado de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro da Petrobrás para os cofres do PT.

O faro do senador Delcídio parece estar correto. A Lava-Jato aproxima-se perigosamente do núcleo petista, inclusive de Dilma. Como escreveu a ministra do STF Carmen Lúcia no voto que decretou a prisão do senador e do banqueiro, “na ação pena 470 descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora parece que o escárnio venceu o cinismo”. O que virá ao final desse processo de limpeza ética, na política e nos negócios, é impossível conjeturar.

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