Diário da Região

06/05/2016 - 00h00min

Editorial

Aos amigos, tudo; aos inimigos, CPI

Editorial

É desolador como os políticos, de um extremo a outro das linhas ideológicas, se parecem uns com os outros. Como tristemente deixam transparecer suas mentiras na hora de se defender de situações embaraçosas com jogos retóricos que de tão repetidos já ficaram óbvios demais para enganar mesmo o eleitor mais incauto. Um exemplo recente vem da Assembleia Legislativa de São Paulo, a Alesp, tirada de sua insignificância existencial e midiática pela invasão do plenário no início da semana por um bando de estudantes, que exige dos deputados estaduais a abertura de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para tirar a limpo as denúncias de superfaturamento de contratos e pagamento de propinas com o dinheiro da merenda escolar. Escândalo que envolve o governo paulista com respingo na própria Alesp, na figura do presidente da Casa, Fernando Capez (PSDB).

Antes da ocupação do plenário pela garotada com o empurrão petista, os deputados aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB) faziam de conta que o problema não existia. A desculpa esfarrapada de sempre era que o caso já está sendo investigado pela polícia e pelo Ministério Público. O deputado Vaz de Lima, tucano como Alckmin e Capez, argumentou dia desses que desde que ele está na Casa, há mais de 20 anos, existe uma “tradição” de não instalar CPIs para apurar denúncias que já são objetos de investigação policial e no MP. O argumento é até satisfatório. Todo observador na cena política sabe que as comissões parlamentares de inquérito não raro servem de palanque para a oposição ao governo de plantão e nunca chegam à conclusão que faça o ladrão do dinheiro público devolver o que roubou e/ou passar uma temporada na penitenciária.

Mas é igualmente verdade que o argumento só vale para um lado. O mesmo PSDB de Vaz de Lima, em Brasília, foi useiro e vezeiro em propor CPIs contra os governos petistas, mesmo que houvesse investigações em curso. E é dessa moral de conveniência que o eleitor, minimamente informado e com algum senso de justiça, está farto. E é por isso que a classe política, seja ela do PT, do PSDB e agregados, entrou em colapso. Ninguém aguenta mais tanta dissimulação.

O fato inescapável é que toda CPI é “política”, a começar pela sua origem, o Parlamento. Escudar-se no pretexto de que seria redundante a investigação anterior em curso é só isso mesmo: escudo, um pretexto para eximir-se de uma das principais tarefas do Legislativo, a de fiscalizar o Executivo. Sobre o fato em questão, vale a ressalva ao leitor que mora e vota na região. Vaz e Orlando Bolçone (PSB) tiveram pelo menos a coragem de tornar públicos seus pontos de vistas contrários à CPI. Os deputados Carlão Pignatari (PSDB), Itamar Borges (PMDB) e Sebastião Santos (PRB) sequer falaram com o Diário sobre as razões de não querer a investigação. Silêncio mais revelador que mil palavras.

É dessa moral de conveniência que

o eleitor com algum senso de justiça está farto

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