Diário da Região

14/05/2015 - 12h00min

Editorial

Como não fazer política

Editorial

Convicção e coerência nunca foram o forte de boa parte dos homens públicos. Costumam, por diversos interesses, mudar de lado ao sabor do vento. Mas o que ocorre na Câmara de Rio Preto chega a ser surreal. Depois de um ensaio repentino de rebeldia, o vereador Paulo Pauléra (PP), ex-capitão do Valdomiro Futebol Clube, resolveu engolir sua valentia e retornou glorioso ao seio governista. Após subscrever projeto que permitia o funcionamento de mais de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ao mesmo tempo, Pauléra não sustentou em pé o que disse sentado. Na sessão de terça-feira, votou contra a proposta sem pudor algum. Lei de autoria do vereador Fábio Marcondes (PR), elaborada sob encomenda pelo Executivo, impede que mais de duas CPIs sejam instaladas na Câmara. O objetivo, óbvio, é dificultar a fiscalização de possíveis irregularidades cometidas pelo governo. Pauléra bravateou à vontade semana passada, dizendo que o compromisso do seu partido com o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) tinha terminado. Tudo isso após falharem as negociações envolvendo a nomeação dele e do vereador Gerson Furquim (PP) para uma secretaria municipal. Pauléra virou, aliás, um dos mais entusiastas a favor do projeto que colocava um fim à mordaça das CPIs. Mas durou pouco, bem pouco. Como em um passe de mágica, o vereador do PP voltou a ser governo de novo. Com muito orgulho. Com muito amor.

Verdade seja dita, ele não é o único. Antes fosse. Mas a falta de coerência e de convicção está entranhada na turma do Legislativo. Maurin Ribeiro (PC do B) e Carlão dos Santos (SD) que o digam: começaram o segundo mandato de Valdomiro vociferando independência, para depois se unirem candidamente à base governista. E o que dizer do secretário de Agricultura, o vereador licenciado Jorge Menezes? Já ameaçou tantas vezes deixar o cargo que virou piada. Certamente Valdomiro não leva mais a sério as birras do seu secretário. Não há problema em mudar de posicionamento. Ninguém deve estar eternamente atrelado ao governo ou à oposição. O que realmente incomoda são rompantes de rebeldia que se confundem com chantagem. E que, miraculosamente, se desfazem no éter, em um comportamento próximo da bipolaridade. Mas não são bipolares, muito pelo contrário. Se a fúria repentina às vezes é compreensível - Pauléra, por exemplo, surtou por não ser nomeado secretário -, quase nunca fica claro o motivo pelo qual os lobos raivosos voltam de repente a se tornar cordeiros. Eles retornam ao ninho e pronto. Sem explicação. Sem convicção. Sem coerência. A política vira a arte da dissimulação. E a população não tem nada a ganhar com isso.

 

 

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