Diário da Região

31/07/2016 - 00h00min

editorial

A ética médica em questão

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“Honorários médicos” cobrados por uma cardiologista renomada em Rio Preto, sensacionalismo e exposição indevida de pacientes na mídia protagonizados por um dermatologista não menos conceituado na cidade, atestados médicos abusivos assinados por uma pneumologista da rede pública em favor da filha servidora municipal. Os três casos, revelados em primeira mão por este Diário nos últimos dias, expõem um lado obscuro e controverso da ética médica.

Certamente os três profissionais - Valéria Braile, João Carlos Pereira e Marisa Richard Pontes, respectivamente - proferiram, nos seus atos de formatura, o conhecido juramento de Hipócrates (460-370 a.C.), grego considerado o “pai da medicina”. “Conservarei imaculada minha vida e minha arte”, é um dos preceitos éticos do médico. Mas, entre o ideal ético e as imperfeitas atitudes do ser humano, vai uma boa distância.

Diretora clínica da Beneficência Portuguesa, um dos principais hospitais da região, doutora Valéria afirma ter agido dentro da lei ao cobrar R$ 1,5 mil de “honorários médicos” de um casal de aposentados para fazer um procedimento de angioplastia no idoso cardiopata, embora o paciente fosse usuário do plano de saúde do hospital a que ela é vinculada. Apesar de ter negado o pedido de indenização do casal contra a profissional, condenando somente o plano a devolver o dinheiro, o juiz determinou que o Conselho de Medicina do Estado, Cremesp, e o Ministério Público investiguem a conduta da médica, sob os pontos de vista ético e criminal.

Nesta semana, o mesmo Cremesp publicou neste jornal uma “censura pública” ao dermatologista João Carlos Pereira por praticar condutas classificadas pelo órgão como antiéticas, entre elas fazer concorrência desleal, identificar pacientes na mídia, divulgar “informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico”.

No dia seguinte o Diário revelou detalhes de uma sindicância da Prefeitura, que suspendeu a doutora Marisa por 20 dias do Ambulatório de Especialidades (ARE). Segundo a conclusão da sindicância, ela forneceu mais de uma dezena de atestados em favor da filha, que é professora na rede municipal. Muitos desses documentos foram produzidos quando Marisa estava de folga do trabalho. Além disso, a filha nem tem prontuário médico no ARE, o que reforça os indícios de irregularidade contra a médica. O Cremesp criticou a atitude da médica do ARE e adiantou que irá investigar a conduta da cardiologista.

Mas é preciso mais do que palavras. Já passou da hora de o conselho deixar de fechar os olhos diante da atuação dos profissionais médicos. Corporativismo profissional não combina mais diante de uma sociedade cada vez mais vigilante. A ética nos relacionamentos humanos, afinal, vale para todos, pobres e ricos, anônimos e famosos.

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