Diário da Região

05/08/2016 - 00h00min

editorial

Banheiro para passarinho

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O crescimento do consumo de entorpecentes aliado à falta de vigor no combate ao tráfico e de ações eficientes no tratamento dos viciados transformou as drogas em uma epidemia nacional. E Rio Preto, infelizmente, está longe de ser exceção. Trata-se de um dos principais desafios a ser enfrentado hoje pelo poder público em específico e a sociedade em geral.

Isto porque os efeitos das drogas, incluindo o álcool, são devastadores não apenas para o indivíduo que as consome, mas esgarçam toda a malha social. Impactam na estrutura familiar, corroem os parcos recursos para a saúde pública, potencializam a violência, transformam jovens em zumbis a vagar pelas ruas, desequilibram a previdência pública, nutrem o crime organizado, destroem sonhos. Em Rio Preto, por exemplo, nove em cada dez meninos internados na Fundação Casa tiveram as drogas como gatilho das infrações cometidas.

O crack, que surgiu em São Paulo na segunda metade dos anos 1990, se alastrou pelo interior do Estado na última década, tornando o quadro ainda mais aterrador. A dependência, neste caso, é um pesadelo do qual torna-se impossível acordar sem uma estrutura de tratamento e apoio muito organizada e cara.

É exatamente pela gravidade e complexidade que a droga representa que se torna inadmissível o desperdício dos já quase inexistentes recursos e projetos que visam minimizar o impacto dessa tragédia cotidiana que sai das estatísticas e se materializa em cada esquina.

O subaproveitamento, pela Prefeitura de Rio Preto, de um ônibus superequipado que custou R$ 1,5 milhão ao poder público é exemplo inquestionável da incapacidade de se usar adequadamente o pouco que se tem. O veículo que deveria rodar a cidade com o objetivo de coibir e flagrar tráfico e uso do crack fica parado em horário burocrático na praça Dom José Marcondes, reduzindo seus efeitos ao de qualquer barraca de lona.

À primeira vista, parece engraçado quando o sociólogo José dos Reis Santos Filho, especialista em violência urbana, diz que uma viatura móvel parada acaba virando apenas banheiro para passarinho. Mas o fato é trágico, e não cômico.

Todo mundo sabe que o cobertor do poder público é curto para sanar as demandas da sociedade, em especial as prioritárias, como segurança, moradia, educação e saúde. Por isso mesmo, exige empenho, responsabilidade, vontade política e criatividade de quem se candidata a gerir os impostos da população. Uma coisa é não ter recursos. Outra, gravíssima, é deixar o dinheiro rolar ralo abaixo, seja pelos dutos da corrupção, seja simplesmente pela omissão ou incompetência.

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