Diário da Região

14/09/2016 - 00h00min

Editorial

O fim de Cunha

Editorial

Nem as mais rocambolescas novelas televisivas teriam um enredo tão intrincado. Por volta da meia-noite da última segunda-feira, dia 12, a Câmara dos Deputados encerrou a saga Eduardo Cunha ao cassar o mandato do ex-presidente da Casa por inquestionáveis 450 votos a 10, com 5 abstenções. Todo o imbróglio começou em março de 2015, quando o então todo-poderoso Cunha compareceu espontaneamente à CPI da Petrobras para negar que tivesse contas bancárias no exterior. Na época, recém-empossado no comando da Câmara, Cunha manobrava um séquito de parlamentares que lhe deviam favores de todo tipo, alguns inconfessáveis.

Bem relacionado com o alto empresariado brasileiro, em uma relação construída desde os tempos de presidente da Telerj, nos anos 90, Cunha fazia a ponte entre o capital e a política no financiamento de campanhas eleitorais. Construiu assim sua base parlamentar própria, acima dos partidos, muitos deles nanicos, reunidos no que se denominou “centrão”.

Mas bastou o Ministério Público suíço revelar a existência de contas bancárias gerenciadas por “trusts” sob o comando de Cunha para que começasse o lento declínio do deputado. No segundo semestre de 2015, o PSOL ingressou com representação no Conselho de Ética da Câmara contra Cunha, acusando-o de quebra do decoro parlamentar o mentir à CPI.

Começava aí a agonia do deputado. Investigações da Lava Jato comprovaram que o dinheiro que Cunha mantinha no exterior tinha origem em propinas decorrentes de contratos da Petrobras - o argumento dele de que o dinheiro provinha da exportação de carne enlatada à África nunca colou. Tornou-se réu no STF, enquanto resistia no Conselho de Ética com todo tipo de manobra regimental.

Primeiro, conseguiu trocar o relator do processo contra ele no conselho, Fausto Pinato (PP). Depois, adiou o quanto pôde a aprovação do relatório que pedia a perda do seu mandato. Ingressou com recurso no Supremo enquanto tentou a todo custo adiar a votação do parecer no plenário. Não conseguiu nem uma coisa, nem outra.

Nesse tempo, viu seus apoiadores minguarem a alguns poucos sequazes, todos inexpressivos politicamente, como Carlos Marun (PMDB-MS). Agora, sem direitos políticos, fica à mercê do juiz Sérgio Moro, sob o risco constante de acordar com um mandado de prisão à sua frente, empunhado por algum agente da Polícia Federal. O temor seria tamanho que Cunha não descarta uma delação premiada.

Por tudo o que de nefasto sua figura representa, Eduardo Cunha já vai tarde. Mas que o brasileiro não se engane: sua herança maléfica permanece, sob outros personagens. Isso só uma reforma política séria será capaz de eliminar.

 

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso