Diário da Região

28/05/2016 - 00h00min

Editorial

Estelionato legislativo

Editorial

Vereadores da Câmara de Rio Preto têm se especializado em propor e aprovar leis que vão da bizarrice à ilegalidade, passando necessariamente pela esperteza eleitoreira. A aprovação de lei municipal que proíbe a circulação de trens no trecho urbano de Rio Preto das 22h às 7h é o mais recente exemplo de como os parlamentares agem mais como mercadores de ilusão, muitas vezes sabendo que o resultado prático da iniciativa - pelo menos para a população - é exatamente igual a zero.

O raciocínio é sempre o mesmo: pouco importa se vai funcionar e beneficiar os moradores, contanto que funcione depois como propaganda eleitoral - o autor da façanha vai poder fazer panfletos e construir seus discursos vazios em cima de quantidade, mandando a qualidade às favas. O negócio é iludir, agindo como autêntico vendedor de terreno no céu, que abusa da boa fé das pessoas para levar vantagem em tudo. Numa única palavra, estelionato.

Desde o acidente de 2013, no qual oito pessoas perderam a vida no descarrilamento de trem na passagem de nível do Jardim Conceição, a Câmara tem sido muito criativa na exploração do tema. Antes, foi a proibição da buzina, lei que acabou derrubada, pela ilegalidade. Sabem os legisladores que discursar defendendo a “expulsão” da máquina mortífera do centro de Rio Preto sensibiliza o eleitorado e agrada de forma especial moradores que têm sofrido mais diretamente com a passagem das composições, tanto pela poluição sonora quanto pelo perigo de novos acidentes.

Proibir as locomotivas de passar pelo trecho rio-pretense - de manhã, à tarde ou à noite - não é uma atribuição municipal, mas uma questão federal. Supondo, no entanto, que essa lei não pudesse ser questionada quanto à legalidade, imaginemos a cena, se é que isso seria possível: dezenas de trens literalmente estacionados nos limites da vizinhança, aguardando as 7h para passar por Rio Preto; imaginemos a intensidade do tráfego das 7h às 21h59, inclusive no final da tarde, quando aconteceu a tragédia.

Não será na base do varejo legislativo que Rio Preto vai chegar a uma solução honesta e exequível sobre a malha ferroviária. Essa é mais uma daquelas investidas da Câmara acostumada a propostas que indicam desconto de imposto de forma genérica, defendem impedir corte de água de caloteiros contumazes, concedem benefícios pontuais como a alteração de lei de zoneamento para a instalação da loja de um amigo, e por aí vai. Ao vereador que tiver um pouco de juízo, aconselha-se começar a pensar um pouco mais antes de ensaiar deboche da população.

 

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