Diário da Região

22/04/2015 - 00h18min

Editorial

O glamour da afronta

Editorial

A glamourização da violência é um recurso bastante eficiente no cinema para eventualmente expor algum ponto de vista com algum fundo filosófico ou sociológico. Uma das fitas mais emblemáticas, neste aspecto, é "Apocalyspe Now", de Francis Ford Coppola, de 1979, estrelado por Marlon Brando e Martin Sheen. A recente onda de barbaridades sobre duas rodas em Rio Preto - mais conhecidas como os "rolezinhos de moto" - ganhou suas tentativas de "sociologização" nos últimos dias, quando este Diário mostrou a grande quantidade de irregularidades e descumprimento de leis, com as subsequentes provocações e desafios nas redes sociais. Foram várias as tentativas de explicação do fenômeno social em comentários no site do jornal e nos compartilhamentos - houve até quem criticasse o texto da reportagem, reclamando da suposta "criminalização" do fenômeno, tentando, de forma estapafúrdia, apontar o "preconceito" contra uma juventude supostamente pobre e carente de opções. Antes de mais nada, esse discurso não se sustenta. O que ocorre durante o tal do rolezinho de moto é uma sequência inaceitável de desprezo por leis e regras sociais, para não falar na algazarra, brigas e alto consumo de substâncias ilegais, como drogas, inclusive por menores de idade. Se há descumprimento da lei e uso indiscriminado de álcool e drogas por menores, a repressão e a punição têm de ser firmes, de acordo com a lei.

Sobre o fenômeno, se é que podemos dizer assim, a analogia mais próxima que se pode fazer é com outra obra do mestre norte-americano Francis Coppola. "Rumble Fish", de 1983, exibido no Brasil como "O Selvagem da Motocicleta", tinha como base um livro da escritora americana Susan E. Hinton, que retratava o universo masculino das violentas gangues do interior dos Estados Unidos. Após a divulgação da primeira reportagem sobre o rolezinho, no último sábado, os praticantes encarnaram o espírito universal das gangues e passaram provocar, desafiar e ostentar nas redes sociais e mesmo na internet os "feitos" dos integrantes das diversas turmas. Tudo de forma muito semelhante ao que ocorreu ao longo do filme "O Selvagem da Motocicleta", estrelado por Mickey Rourke e Matt Dillon. O vazio existencial e um certo niilismo observados ao longo do filme encontram paralelo nos desvios de comportamento dos motociclistas delinquentes do rolezinho de Rio Preto. Guardadas as devidas proporções, até podemos encontrar alguns traços de romantismo e o gosto de aventura na delinquência, mas este é o limite das "explicações sociológicas" imediatas. A afronta dos integrantes do rolezinho ao desafiar a todos nas redes sociais não deve ser relevada ou minimizada. É algo que também deve ser coibido. 

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