Diário da Região

18/10/2016 - 00h00min

Editorial

Insustentável auxílio-atleta

Editorial

A revelação de que o dublê de cabo eleitoral e dirigente de futebol amador Rogério Martins está entre os contemplados pela lei do auxílio-atleta é a constatação cabal da desmoralização completa desse benefício bancado pelo dinheiro público em Rio Preto. Investigado pela Polícia Federal por suspeita de integrar esquema de compra de votos, ele recebe R$ 1.123,59 por mês, desde abril de 2014, mesmo sem ser atleta ou técnico desportivo.

Documentos apreendidos pela PF na casa do senhor Rogério Martins ajudam a clarear suas atividades. Entre os papéis, a polícia encontrou a já famosa lista com nomes de pessoas que receberiam favores - uniformes, bolas de futebol, carne e até dinheiro para um certo “Lequinho”, que de acordo com os escritos estaria “de saidinha”, provavelmente uma alusão à “saída temporária” de presos do regime semiaberto. Martins trabalhou como cabo eleitoral do atual presidente da Câmara, Fábio Marcondes (PR), reeleito como o parlamentar de maior votação da história do Legislativo de Rio Preto.

Ainda que esse cidadão possa comprovar que, além de cabo eleitoral nas horas vagas, também atua efetivamente no esporte, o objetivo da lei do auxílio-atleta está desvirtuado. O caso de Martins é um exemplo claro e definitivo de que os critérios para a concessão do benefício precisam ser inteiramente revistos. Por revisão, obviamente, entenda-se também a necessária devassa em todos os contratos em vigor, para que se possa enxergar além da ponta do iceberg.

Pior é que antes mesmo do episódio em questão, a lei do auxílio-atleta há anos abre brecha para fraudes generalizadas. Por omissão, conivência, conluio ou mera incompetência, não se sabe, mas é fato que os secretários que têm passado pela Secretaria de Esportes nada fizeram para barrar essa indecência, que beneficia indevidamente uma parte e prejudica quem precisa e merece ser incentivado.

O descontrole chegou a tal ponto que não se resolve com ajustes específicos. Em sã consciência, não dá para admitir que se trata de questões pontuais. O sistema está contaminado e precisa ser desmontado por inteiro. É necessário zerar as concessões para promover uma reengenharia e retomar o projeto de forma mais confiável, por meio de um conceito mais amplo, em que não se vislumbre apenas a formação do atleta, mas acima de tudo contribua para a formação do cidadão.

Nesse sentido, o projeto bem que poderia ser reimplantado sob a ótica da Educação, com prioridade para estudantes da rede pública. Primeiro a formação cidadã; depois, a formação do atleta como consequência.

 

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