Diário da Região

27/02/2015 - 00h45min

 

Futuro torpedeado

 

Um atentado contra uma escola é um tiro de canhão no futuro. A frase, anônima, foi dita por um professor francês que fugia dos vietcongues durante a Guerra da Indochina, que terminou com a independência do Vietnã em 1954. A frase ecoou por muitos anos depois, sempre associada aos guerrilheiros comunistas do Sudeste Asiático, que pretendiam "extirpar" qualquer vestígio dos colonizadores ocidentais acabando com escolas e trucidando professores, profissionais, liberais e qualquer pessoa com algum de instrução. O auge do abominável processo ocorreu no Camboja, durante o governo genocida de Pol Pot e seu Khmer Vermelho. Algumas escolas da zona norte de Rio Preto também estão sob ataque, como este Diário tem registrado neste ano. Não são guerrilheiros nem terroristas, mas simples vândalos e criminosos que contam com a indiferença e o descaso com a coisa pública que crescem com o passar dos anos. As constantes invasões e depredações de escolas públicas, não só em Rio Preto, mas em todo o Brasil, são o sintoma grave de uma doença que aparentemente não tem cura: o desprezo pela educação como fator estratégico da existência de uma nação. Os aparelhos educacionais em frangalhos nos ensinos fundamental e médio tornaram-se o sinal evidente do fracasso de projeto de sociedade e de país. Escoadouro de dinheiro jogado fora e desviado pela corrupção, são um monumento à incompetência administrativa e à indigência cultural de toda uma classe política insensível e despreparada.


Pais de alunos desesperados com a falta de segurança e de atenção do Estado estão se voluntariando para trabalhar nas escolas invadidas como forma de amenizar o problema. Preocupam-se com a causa imediata, o vandalismo, mas lentamente percebem que são impotentes diante do desmonte e do desmoronamento da educação como um todo. A facilidade com que as invasões ocorrem e a total falta de respeito para com o ambiente escolar são um reflexo direto de como o menosprezo pela educação contaminou parcelas expressivas da sociedade - e justamente as mais carentes e que mais necessitam de apoio educacional. Esses grupos sociais devolvem o "tratamento" recebido atacando a escola, vista como um símbolo dos precários serviços prestados pelo Estado, do abandono progressivo de uma geração de crianças e jovens e da própria degradação social do ambiente, com os colégios servindo como pontos de tráfico de drogas e abrigos de bandidos. Assim como em outros locais, o futuro em Rio Preto está sendo alvejado com balas de canhão.


>> Leia aqui o Diário da Região Digital

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso