Diário da Região

04/10/2017 - 00h00min

Editorial

Dengue: números que enganam

Editorial

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Boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Rio Preto revela que o número de casos de dengue caiu 97%, na comparação dos dados de 2017 com 2016 no período de janeiro a setembro. Foram 476 casos neste ano, e nenhuma morte, enquanto no ano passado 16.006 pessoas ficaram doentes e três morreram. Mesmo que o resultado dos exames aguardados de outros 216 pacientes dê positivo, ainda estamos muito bem e, provavelmente, vamos chegar ao fim do ano com as estatísticas plenamente favoráveis.

Bem torturados, os números são capazes de confessar qualquer coisa, diz o ditado. A comparação restrita à frieza dos números mostra que, efetivamente, houve uma redução drástica. Isso é fato. Mas nem sempre vale aquele outro ditado segundo o qual contra fatos não há argumentos. Nenhuma estatística dispensa o acompanhamento da contextualização, que ajuda a levar a uma interpretação mais realista – contanto, obviamente, que a análise e o contexto não sejam igualmente torturados.

No caso em questão, é necessário levar em conta uma série de fatores. Um deles é a característica da sazonalidade da dengue, bem como a relação com o clima, o gerenciamento de resíduos, a eficiência das políticas de saúde pública e o próprio comportamento da população nos cuidados com o quintal. Os moradores têm um papel fundamental, pois o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, é aquele inquilino indesejável, que habita no interior dos imóveis, especialmente em recipientes que acumulam água. O combate aos criadouros, portanto, começa dentro de casa e nos quintais.

Por outro lado, de nada adianta o morador fazer o dever de casa se não tiver colaboração externa. Primeiro, do vizinho. E de forma especial, a participação do poder público no cuidado com terrenos baldios, muitos deles inclusive pertencentes ao governo, e com os chamados pontos de apoio, locais gerenciados pela Prefeitura e destinados ao descarte de materiais inservíveis – entulhos de construção, madeira, plástico e diversos tipos de objeto. Não se deve esquecer, aliás, que cabe ao poder público a fiscalização de serviços de coleta de lixo, bem como a realização de campanhas e atendimento médico em postos de saúde.

É necessário considerar, ainda, que as estatísticas também podem ser, e são, influenciadas pelo ciclo de circulação de diferentes tipos de vírus. Não é incomum o fato de uma localidade registrar epidemia da doença em um ano e os casos despencarem no outro, porque as pessoas passam a ter imunidade contra aquele vírus. A redução em Rio Preto é uma combinação de todos esses fatores.

Os números, portanto, servem de guia para o direcionamento de ações, mas a missão nunca está cumprida. Ainda mais agora, com o início da temporada das chuvas, criando condições favoráveis não só para novas larvas mas também para antigas, que resistem por até 450 dias no tempo seco.

 

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