Diário da Região

20/09/2017 - 00h00min

Editorial

Alckmin e a sineta de Pavlov

Editorial

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Para fazer volume e turbinar seu marketing eleitoreiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) determinou que viaturas entregues recentemente e já em uso fossem deslocadas do patrulhamento das regiões de Rio Preto, Ribeirão Preto e Bauru para desfile e cerimônia de entrega oficial no sábado, em São Carlos. Em cada viatura deslocada, um policial igualmente desviado do trabalho normal, servindo de motorista. “Estamos entregando 197 veículos novinhos para a PM”, discursou o governador tucano, que ainda se elogiou pela “melhora” nos indicadores de segurança pública.

A explicação do Estado soa como deboche ao defender que “a escolha por entregar os veículos adquiridos para as regiões simultaneamente ocorreu para que houvesse celeridade no emprego das viaturas no policiamento preventivo e para conter gastos”. Parece piada, mas no entendimento de Alckmin, tirar 70 viaturas do patrulhamento e torrar combustível para fazer oba-oba virou sinônimo de celeridade e de economia.

De pérola em pérola, o secretário de Segurança, Mágino Alves, disse ainda que a viatura precisa passar por esses testes - não é como carro particular, que já sai da fábrica pronto para uso. A secretaria achou também outra explicação engenhosa ao defender que “o patrulhamento não foi afetado, já que os policiais destacados para o transporte das viaturas são dos setores administrativos ou estava de folga”. Ou seja: para o governo, profissionais do administrativo não fazem falta nos seus setores.

Com uma dose de esforço, até daria para compreender que é da cultura e do jogo político fazer festa na tentativa de mostrar serviço, ainda que esteja simplesmente cumprindo sua obrigação. Mas Alckmin foi além. Poderia ter feito a solenidade, por exemplo, usando os veículos apenas da região da cerimônia, sem mexer com outros comandos de policiamento. No entanto, o governador se sentiu no direito de desfalcar a já desfalcada frota em razão de um interesse pessoal. Quis dar volume ao evento com uma quantidade de veículos que não ficariam necessariamente naquela região.

Com essa tática de desfilar com viaturas, Alckmin lembra a teoria do reflexo condicionado, desenvolvida pelo fisiologista russo Ivan Pavlov. Ao estudar o sistema digestivo dos cães, Pavlov tocava uma sineta e em seguida entregava um pedaço de carne. Ao ouvir o toque, os animais o associavam à oferta de comida e começavam a salivar. Com o tempo, ele passou a apenas mostrar o alimento depois do toque e notou que os cães salivavam mesmo sem comer. Só o cheiro já acionava suas glândulas. Em outra fase do experimento, bastava aos cães ouvir o simples ranger da abertura de uma porta, sinalizando a chegada do seu tratador. No final do estudo, entretanto, Pavlov notou que os cães já identificavam o chiste e não salivavam mais.

O pavloviano Alckmin virou um especialista em fazer promessas de dar água na boca para depois entregar só o cheiro. A continuar assim, vai descobrir nas urnas que não se pode tratar os cidadãos do mesmo modo como Pavlov tratava seus cães.

 

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