Diário da Região

10/09/2017 - 00h00min

Editorial

O ambiente, lá e cá

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O mundo acompanha como as forças do clima impõem suas consequências sobre o planeta, não só por características de catástrofe natural, mas necessariamente em decorrência de complicações geradas pela ação do homem. A sucessão de furacões que castigam o Atlântico Norte com fúria deixa à mercê da própria sorte milhões de pessoas. Esses fenômenos chamam a atenção pela sua grandiosidade e por demonstrar como o clima, de acordo com a manipulação humana, pode ser fonte de verdadeiras tragédias irreversíveis.

No dia 25 de agosto, o furacão Harvey estacionou sobre o Texas. Seu legado inclui 50 mortes, mais de 1 milhão de pessoas deslocadas e cerca de 200 mil casas destruídas. Agora é a vez do Irma, que atravessou o Caribe, deixando ao menos 20 mortes até ontem e um conjunto de ilhas arrasadas, seguindo para os Estados Unidos, onde mais de 6 milhões de pessoas na Flórida e na Geórgia foram avisadas para deixar suas casas. E atrás vem o José, com a impetuosidade de um furacão classe 4, o que representa ventos com velocidade entre 211 e 249 quilômetros por hora e capacidade de elevar o nível do mar entre 3,9 e 5,5 metros de altura.

A sequência desses fenômenos revela o que o governo Donald Trump insiste em negar. A comunidade científica mundial já emitiu diversos alertas de que grandes ciclones vão se tornar mais intensos com o aquecimento global e o aumento do nível do mar. Eles se alimentam da energia que os oceanos desprendem e, com a elevação das temperaturas, os cientistas acreditam que a tendência é a intensidade disparar.

O presidente dos Estados Unidos anunciou em 1º de junho deste ano que seu país não acompanharia o Acordo de Paris, tratado assinado na capital francesa e ratificado por mais de 130 nações (inclusive o Brasil) com metas para reduzir poluição emitida por fábricas, veículos e desmatamento e, desta forma, limitar e controlar o aumento da temperatura do planeta. É claro que Trump não é responsável direto pelos furacões que castigam o seu e outros países, mas sua atitude como governante, ao desprezar a necessidade de ações que preservem o meio ambiente é, no mínimo, irresponsável.

O governo do mais poderoso país do mundo incentiva de forma criminosa o desrespeito ao meio ambiente, comprometendo diretamente a segurança e a qualidade de vida de milhões de pessoas. A tese do aquecimento global não pode ser usada coma mera sustentação de um discurso ambientalmente correto, mas ser entendida como resultado concreto de séculos de devastação, daí a necessidade de ações que revertam esses efeitos. A grandiosidade dos fenômenos e de suas consequências exige políticas públicas estruturadas em escala mundial, sem deixar de lado as iniciativas regionais.

 

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