Diário da Região

23/05/2017 - 00h00min

editorial

Capitalismo malandro

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Tão logo a Operação Mãos Limpas ganhou fôlego na Itália, na década de 90, a mídia passou a batizar os múltiplos esquemas de corrupção entre políticos e grandes empresários de Tangentopoli, algo como “A Cidade da Propina”. Lá como cá, descobriu-se como a elite econômica apoiava-se em benesses do poder público para enriquecer e assim financiar, em tratativas inenarráveis, a continuidade da casta política. Vantagens para o grupelho com o dinheiro decorrente dos suados impostos do restante dos brasileiros.

Essa engrenagem excludente veio à tona nas delações da empreiteira Odebrecht e da gigante da proteína animal J&F. Em “trocade R$ 15,5 bilhões de empréstimos e aportes de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal (CEF), os irmãos Joesley e Wesley Batista confessaram à Procuradoria Geral da República (PGR) terem pago R$ 800 milhões em propina ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB), ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e ao atual ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB).

Quando espertamente notaram que esse capitalismo de compadrio estava ameaçado por nada menos do que cinco operações da Polícia Federal, os irmãos Batista, certamente orientados por competentes operadores do Direito, trataram de gravar o presidente Michel Temer em diálogos que nada ficam a dever a dom Vito Corleone em “O poderoso chefão”. Com esse material em mãos, negociaram com a PGR uma delação premiada mais do que confortável. Em troca da exposição das tratativas mafiosas com o poder público, não poderão ser processados no Brasil, muito menos presos. Ainda obtiveram permissão da Justiça para viajar aos Estados Unidos sem nenhum controle, nem mesmo tornozeleira eletrônica. Até mesmo o valor do acordo foi benéfico: R$ 255 milhões, quase nada perto do faturamento anual do grupo pelo mundo: R$ 170 bilhões.

Causou espanto e revolta ver as imagens de Joesley e família no salão do aeroporto de Guarulhos prestes a embarcarem em um jatinho fretado rumo à América do Norte. Após alguns dias no apartamento do empresário em Nova York, os Batista seguiram para rumo ignorado em solo norte-americano.

A audácia maior foi se desfazer de parte dos papéis da J&F na Bolsa de Valores e comprar R$ 1 bilhão em dólares sabendo que, após a delação vir a público, certamente a moeda se valorizaria e os papéis da empresa despencariam.

Inaceitável aquiescer com tamanha audácia. Se ganhou, e muito, nos tempos áureos do PT, a J&F não pode ganhar novamente na atual tempestade política e econômica. Deve haver limites ao capitalismo malandro.

J&F ganhou duas vezes: com acordo brando de delação e com apostas

na alta do dólar

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