Diário da Região

30/03/2017 - 00h00min

Editorial

Faz de conta na Educação

Editorial

Levantamento publicado pelo Diário na edição do último domingo mostra como, definitivamente, o ensino público brasileiro é irrigado por uma comprometedora e histórica brincadeira de faz de conta: 21% dos professores conseguem ensinar ao aluno no máximo 80% do conteúdo previsto para o ano letivo no ciclo fundamental de Rio Preto, enquanto 5% deles não chegam nem a 60%. Os dados compõem o Censo Escolar/Inep 2015, tabulados a partir de pesquisa feita por meio de 124 perguntas a 414 professores e 111 a 71 diretores.

O índice de aproveitamento do professor na transferência de conteúdo é mais preocupante do que parece. Significa que até o resultado do melhor aluno da classe é enganoso, pois seu desempenho é medido em cima apenas do que ele aprendeu, e não sobre tudo o que deveria ter aprendido. Trata-se de um estrago em efeito cascata. A defasagem do ensino básico naturalmente reflete no ensino médio, com consequências na nota do Enem, no desempenho durante os vestibulares – enfim, na formação profissional, inclusive de novos professores.

Múltiplos fatores influenciam na formação desse cenário. Um deles está na tradicional precariedade estrutural das escolas, das condições físicas dos prédios ao material didático, passando pela remuneração dos professores e a superlotação das salas. Em algumas escolas falta até giz. Por outro lado, tem a questão disciplinar: 21 dos 71 diretores entrevistados afirmaram ter visto armas brancas (canivetes e facas) e cinco flagraram alunos até com arma de fogo. Além disso, 75 professores revelaram ter observado alunos sob efeito de drogas.

Professor atormentado em sala de aula por alunos violentos e drogados, e eventualmente até ameaçado por traficantes das imediações do estabelecimento de ensino, não pode mesmo ter um bom aproveitamento. Um desses absurdos foi registrado na última semana: um aluno de 10 anos foi flagrado pela diretoria de uma escola na estância Santa Clara com duas munições, calibres 32 e 380, que ele levou para “mostrar” aos colegas. Recebidos depois pela mãe do menino em casa, os policiais acharam mais sete munições de calibre 380 e uma de 32.

Um detalhe no mínimo bizarro ajuda a mostrar como o problema é alimentado pelo próprio sistema: esse caso aconteceu na sexta-feira, mas só foi registrado na segunda-feira, quando a diretoria da escola chamou a polícia pela segunda vez. É que na sexta a PM não foi ao local porque o efetivo estava todo ocupado com a segurança do governador Geraldo Alckmin e do presidente Michel Temer em visita oficial à cidade para entrega de casas populares, seguida de almoço com representantes da alta sociedade rio-pretense.

 

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