Diário da Região

30/05/2017 - 00h00min

Editorial

Investigar é preciso

Editorial

Durante décadas empreiteiras como a Odebrecht prosperaram com base em relações promíscuas com representantes do poder público. Dessa simbiose entre interesses públicos e privados nasceu o “caixa dois”, somas não contabilizadas oficialmente que durante décadas abasteceram os cofres de campanhas políticas Brasil afora, não respeitando ideologia nem cor partidária.

O “caixa dois” institucionalizou-se de tal modo nos subterrâneos da atividade política que, em sua delação, Marcelo Odebrecht sentenciou: não há político no País que não tenha sido eleito apenas com dinheiro legalmente contabilizado. As planilhas que ele entregou ao Ministério Público reforçavam suas afirmações: milhões de reais supostamente despejados em dezenas de políticos, incluindo três da região: o deputado estadual João Paulo Rillo (PT), o federal Rodrigo Garcia (DEM) e o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes (PSDB).

O que disse a Odebrecht, incluindo os seus mais de 70 diretores, ficou denominado de “delação do fim do mundo”. Mas entrou o mês de maio e o País foi surpreendido com nova delação, desta vez da J&F, a gigante do ramo de carnes, embalada pelo dinheiro fácil do BNDES. Além das ações controladas que arruinaram as carreiras políticas do senador tucano Aécio Neves e do presidente Michel Temer, os irmãos Batista, donos da holding, entregaram à Procuradoria Geral da República pilhas de documentos com suposto pagamento de “caixa dois” a quase 2 mil políticos do País. Entre os contemplados pelas doações, ainda que indiretamente, estão oito políticos da região, com os respectivos valores pagos. Segundo a empresa, foram R$ 50 mil para o prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (PMDB), R$ 70 mil para Rillo e R$ 1,1 mil para o deputado federal Sinval Malheiros (PV), além de R$ 120 mil para cinco candidatos do PRP nas eleições de 2014.

Chama a atenção o valor total que a J&F afirma ter pago ao PRP, sigla com sede em Rio Preto: R$ 617,1 mil. Vendido com um verniz republicano, o PRP é um partido nanico a morder um naco dos milhões do fundo partidário - dinheiro público, por sinal. A sigla, insignificante nacionalmente mas com alguma relevância em Rio Preto, já se envolveu em polêmicas no gasto do fundo, como a compra de uma caminhonete zero quilômetro e até vinhos importados. Agora, se vê também no olho do furacão das delações da JBS.

Se os repasses de fato ocorreram, e de forma ilegal, só uma investigação isenta poderá concluir. É necessário que a apuração seja instaurada com celeridade, assim como cabe ao Congresso aprovar definitivamente a cláusula de barreira, impedindo que partidos incolores, inodoros e insípidos continuem sugando o erário.

 

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