Diário da Região

24/05/2017 - 00h00min

editorial

A cara do Brasil

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A revelação feita em delação premiada pelo diretor da JBS Ricardo Saud de que a empresa dele fez jorrar R$ 600 milhões para irrigar os bolsos de 1.829 candidatos de 28 partidos não surpreende e confirma que o Brasil vive em plena ditadura. Da propina. De pronto, aliás, é preciso ressaltar que, em boa parte, se trata de dinheiro público, que vai parar nos cofres privados via licitações fraudulentas, superfaturamentos, empréstimos de bancos estatais e aportes em condições mais que generosas - antigamente na cueca, agora em malas que deputados carregam apressados pelos labirintos dos aeroportos.

Em efeito cascata, direta e indiretamente, a cooptação alcança diferentes níveis e, lá na ponta, essa engenharia de organização criminosa vira abuso de poder econômico e compra de votos, e de “ideologia”. Não é um fenômeno novo, apenas está muito mais escancarado que há algumas décadas, quando Cazuza pedia para o Brasil mostrar sua cara - “qual o seu negócio, o nome do seu sócio?”. Alguns dos sócios da vez atendem por Marcelo, Joesley e Wesley. O primeiro, preso na Lava Jato; os outros dois, livres, leves e soltos após a delação premiada que entregou a cabeça do presidente na bandeja.

A forma com que o diretor da JBS fala é de estarrecer. Afirma que com o dinheiro da empresa foram eleitos foram 179 deputados estaduais, de 23 estados; 167 deputados federais, de 19 partidos. “Demos propina para 28 senadores da República”, diz, acrescentando: “E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP, um do PSD”. Segundo ele, na lista “estão todas as pessoas que receberam propina diretamente ou indiretamente da gente”. Para não deixar dúvida, ainda tripudia: “Se ele (o político) recebeu esse dinheiro, sabe, de um jeito ou de outro, (que) foi de propina. Essas pessoas estão cientes disso”.

É nesse contexto que entra o velho, bom, batido e ainda sempre muito válido ditado segundo o qual quem não deve não teme. Ao contrário: faz questão de esclarecer quando, por exemplo, eventualmente seu nome, de forma direta ou indireta, aparece em listas como beneficiário do dinheiro de empresas investigadas - JBS, Odebrecht e companhia. Transparência é requisito fundamental para qualquer cidadão de bem, e de forma especial para quem se dispõe a participar da vida pública.

A imprensa deve ter sempre a responsabilidade de informar com exatidão tudo o que tem interesse jornalístico. Isso é respeitar o leitor e a própria atividade jornalística. Abusos devem ser tratados nas instâncias adequadas. Definitivamente, nada há de errado em noticiar o conteúdo das delações. Tampouco exigir explicações de quem figura em lista de doadores de campanha que são criminosos assumidos e contumazes.

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