Diário da Região

10/02/2017 - 00h00min

Editorial

Reforma da educação

Editorial

Novamente uma questão fundamental para qualquer País que tenha a pretensão de se reposicionar na geografia econômico-social do planeta escorrega do debate técnico e imparcial para o raivoso Fla-Flu revestido de cores ideológicas e partidárias. A reforma do Ensino Médio aprovada pelo Senado nesta quarta-feira, dia 8, mostra a capacidade do governo Temer em garantir maioria no Congresso Nacional, mas está longe de representar um consenso.

É incontestável a urgência de uma revolução na educação pública brasileira. Poucas pessoas isentas da má-fé, demagogia política ou desonestidade intelectual teriam coragem de classificar como minimamente eficiente a escola de acesso universal oferecida às crianças e adolescentes de norte a sul do Brasil, salvo raríssimas exceções na forma de experiências pontuais.

O retrato da falência do ensino oferecido pelos governantes se traduz na injusta disputa por vagas em universidades de alto desempenho, na acirrada seleção de jovens talentos das grandes empresas (onde a origem do diploma de ensino superior é o primeiro filtro) e até na conquista de empregos públicos por meio de concursos.

Chega a ser cruel, aqui, tentar defender a meritocracia. Não se pode considerar demérito a dificuldade de um jovem com formação precária, alijado de métodos inovadores, quase sempre monoglota, brigar de igual para igual com quem teve todas as oportunidades que o dinheiro pode oferecer nas searas das escolas privadas.

Uma minúscula amostra desse cenário ficou evidenciada nos dados do Saresp divulgados na semana passada pelo Governo de São Paulo. Está lá, estatisticamente alinhada, a limitação dos jovens que deixam o terceiro ano do ensino médio das escolas estaduais de Rio Preto, ou seja, justamente aqueles que vão para a selva das competições aqui descritas. Em Matemática, de 28 estabelecimentos de ensino avaliados, 21 ficaram apenas no “básico” (abaixo do nível “adequado”) e sete sequer conseguiram um “aceitável”. Em Português, o estrago se repete: apenas cinco atingiram o nível aceitável.

Sob o argumento de que é preciso priorizar o aprendizado nas chamadas áreas fundamentais, a proposta do governo, modo geral, estabelece 60% da carga horária com disciplinas obrigatórias e 40% optativas. E aí entra boa parte da polêmica. Deixam de ser obrigatórias disciplinas como sociologia e filosofia, além de educação física e arte. Para os opositores, o governo retrocede aos anos 1990 ao não estimular o jovem a “pensar”. Também se discute o deslocamento de parte dos recursos do ensino infantil para o médio.

O governo deu passo importante no seu propósito. A regulamentação, que vai acontecer a partir das definições na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) será precedida de protestos inevitáveis. É preciso lucidez para se chegar ao melhor modelo por meio de debate democrático. A necessidade de “ fazer algo” não pode ser contemplada na base do fazer “qualquer coisa”.

 

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