Diário da Região

10/03/2017 - 00h00min

Editorial

A aposta de Marcondes

Editorial

A decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em favor dos irmãos Scamatti - protagonistas do escândalo da Máfia do Asfalto -, notícia exclusiva que mereceu a manchete de quarta-feira, 8, do Diário, jogou luz em intenções recônditas de trechos da nota enviada à imprensa pelo vereador Fábio Marcondes (PR) em 10 de fevereiro, dia em que a Justiça Eleitoral de Rio Preto cassou o mandato dele como vereador.

“Por óbvio, e por justiça, vou recorrer. E em tribunais superiores, longe da contaminação político-partidário-midiática, longe dessa campanha pérfida e sórdida que parte da imprensa encampou contra mim, tenho certeza que vou provar minha inocência”, escreveu ele, condenado por compra de votos durante a campanha eleitoral do ano passado.

O caso envolvendo a Máfia do Asfalto - um esquema de fraude em licitações em prefeituras, sobretudo para obras de pavimentação, daí o nome - também recebeu amplo destaque na mídia, incluindo este Diário, por óbvio. O episódio foi um dos principais assuntos de 2013. Não podia ser diferente numa operação em que os investigados passaram até uma temporada no xilindró. Marcondes ainda não passou por esse dissabor enfrentado pelos Scamatti, mas, como prudência não faz a ninguém, contratou o mesmo advogado dos irmãos de Votuporanga, o renomado Alberto Zacharias Toron, que acaba de entrar com uma habeas corpus no mesmo STF para tentar anular o inquérito da PF contra seu cliente em Rio Preto.

No caso da Máfia do Asfalto, Toron, também por meio de um habeas corpus, conseguiu convencer Celso de Mello a suspender a tramitação do processo com o argumento de que as interceptações telefônicas contra os Scamatti foram feitas ao arrepio da lei - mesma alegação que fora rechaçado anteriormente no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Superior Tribunal de Justiça. É uma tecnicalidade que põe em segundo plano o mérito da questão, isto é se o dinheiro público foi pilhado ou não pelos Scamatti.

Marcondes diz em outro trecho que o processo contra ele está “totalmente contaminado e eivado de vícios”; além de apontar “vazamentos ilegais e seletivos de informações sigilosas”. É uma pista e tanto de que Toron deve tomar o mesmo caminho, ou seja, salvar a pele de Marcondes sem entrar no mérito se ele comprou votos ou não, mas se apegando a filigranas do processo para tentar anular toda a investigação da Polícia Federal e mesmo sentença de 1ª instância que reconheceu as provas como suficientes para condenar o vereador.

Cliente e advogado contam com a distância de São Paulo, e sobretudo de Brasília, em relação a Rio Preto para evitar que se repita nos tribunais de lá a imaginária “contaminação político-partidário-midiática” que teria feito a cabeça do juiz local, como também diz Marcondes. Traduzindo, apostam na surdez de desembargados e ministros quanto a legítima pressão da opinião pública rio-pretense para que seja feita justiça de verdade e ainda em relação à fiscalização rigorosa e crítica do andamento do processo pela imprensa independente da cidade.

 

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