Diário da Região

28/01/2017 - 00h00min

Editorial

O que é belo para você?

Editorial

O que é a beleza senão um conceito subjetivo para qualificar aquilo que é agradável aos olhos? Seria, porém, simples definir o que é bonito ou feio se os olhares não fossem tão diferentes, em um mundo heterogêneo.

Foi justamente no conceito da palavra que o prefeito da capital paulista, João Doria, cometeu o primeiro erro ao criar o projeto "Cidade Linda". Linda para quem, afinal, se as atitudes tomadas pelo governo paulistano já deram sinais que a beleza segundo Doria não é unanimidade? O outro erro foi não fazer distinção entre a arte urbana do grafite e as pichações. Ao menos nisso, o jato de tinta foi democrático: apagou a arte e o vandalismo. Da mesma forma a grita não se restringiu à capital, se fazendo ouvir também por aqui, entre artistas inconformados.

No embalo de apagar as pichações, Doria também eliminou grafites que davam cor e vida à acinzentada terra da garoa. Um dos mais emblemáticos foi um painel na Avenida 23 de Maio, então o maior da América Latina, que deu lugar a uma parede cinza, entregando uma folha de papel para que pichadores fizessem seu trabalho. Menos de uma semana depois, a parede apareceu pichada, o que era de se esperar. Enquanto o prefeito de uma cidade-vitrine do Brasil marginaliza a arte urbana, grafiteiros brasileiros são reconhecidos lá fora como artistas. Os Gêmeos, Nina Pandolfo, Nunca e Kobra são exemplos de quem faz sucesso no exterior. Londres, por sua vez, promove excursões para que turistas conheçam os grafites, valorizados como arte na capital inglesa.

Para além da discussão já superada sobre o que é arte ou não quando se fala em grafite e pichação, surge outro questionamento. Por ser prefeito, Doria tem autoridade para decidir o que é ou não bonito para integrar o espaço público? Se a resposta for sim, até onde essa autoridade se estende? Afinal, ocupação do espaço público não se trata apenas de grafites e pichações, mas vai além, desde as mesas dos bares que se espalham pelas ruas aos muros com propagandas e os outdoors que colorem a paisagem com publicidade.

Além disso, Doria, tal qual um inquilino que acaba de se mudar para uma casa nova, colocou a pintura das paredes a seu gosto como prioridade, fazendo dessa uma de suas ações mais marcantes já nos primeiros dias de governo. Doria foi eleito no primeiro turno das eleições no rastro das angústias provocadas por uma metrópole com graves problemas a serem resolvidos. Até agora atraiu atenção com pirotecnias e encenações midiáticas. Espera-se que, em breve, comece a se preocupar mais com pessoas do que com os adereços.

 

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