Diário da Região

24/05/2016 - 00h00min

PRIMEIRA BAIXA DE TEMER

Gravação obriga Jucá a deixar o governo

PRIMEIRA BAIXA DE TEMER

Antônio Cruz/ Agência Brasil Romero Jucá (PMDB-RR), que foi forçado a pedir para sair do governo após divulgação de gravações
Romero Jucá (PMDB-RR), que foi forçado a pedir para sair do governo após divulgação de gravações

A nomeação do senador Romero Jucá (PMDB-RR) no cargo de ministro de Planejamento de Michel Temer durou apenas dez dias. Ele pediu licença nesta segunda-feira, 23, horas depois da divulgação de gravações em que sugere “pacto” para frear as investigações da Operação Lava Jato, que apura corrupção da Petrobras. A gravação da conversa dele com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado foi revelada pelo jornal “Folha de S.Paulo”. O áudio, em análise na Procuradoria Geral da República, ocorreu em março, poucos dias antes da votação da abertura do impeachment de Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados.

Jucá afirma que é preciso “mudança” no governo federal que iria resultar em “pacto” para “estancar a sangria”, em menção à operação. O teor da conversa abriu crise imediata - até aqui a pior delas - no governo do presidente em exercício, Michel Temer. Durante a tarde, Jucá afirmou em entrevista coletiva que estava falando sobre a situação da economia do País, quando disse “estancar a sangria”. As circunstâncias das gravações, que teriam sido feitas por Machado, não foram reveladas.

Na sequência, os áudios das gravações foram divulgados e em nenhum momento a crise econômica aparece como tema da conversa. Machado também é investigado na Lava Jato. Machado afirma que eles (Lava Jato) querem “pegar todos os políticos. “A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos”, afirma Machado. O então senador, fala em pacto. “Cê (Machado) tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...]Tem que ser política, advogado não encontra[INAUDÍVEL]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa p... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, afirma Jucá.

“Eu acho que tem que ter um pacto”, continua Jucá em outro o trecho da conversa, que tem mais de uma hora de duração. Jucá afirma ainda ter conversado com ministros do Supremo Tribunal Federal, que concentra a investigação de políticos com mandato ou ministros relacionadas à Operação Lava Jato. O agora ex-ministro de Temer também fala sobre a dimensão da Operação Lava Jato, que iria atingir políticos do PSDB e cita o senador de Rio Preto, Aloysio Nunes (PSDB), sem dizer qual seria o envolvimento do tucano na operação. Aloysio reagiu.

Horas depois de dizer que falava sobre economia, o que foi desmentido pelos áudios, o senador anunciou que iria se licenciar do cargo. A exoneração, a pedido, será publicada no diário oficial desta terça-feira, 24. Em nota, o presidente interino confirmou a licença de Jucá. “Registro o trabalho competente e a dedicação do ministro no correto diagnóstico de nossa crise financeira e na excepcional formulação de medidas a serem apresentadas brevemente para a correção do déficit fiscal e da retomada do crescimento da economia”, diz a nota divulgada por Michel Temer (PMDB).

Moro

O juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, foi questionado em evento, sobre as gravações com a fala de Jucá. Ele defendeu autonomia dos poderes. “Ouvi o Meirelles (Henrique, ministro da Fazenda) falando há pouco sobre economia e isso é um assunto que o Judiciário não interfere. Assim como assunto de Justiça também não devem ter interferência do governo, cada um tem que agir independente”, afirmou ele.

(Com Agência Estado)

‘Caiu a ficha do Brasil’, afirma Aloysio

O senador rio-pretense Aloysio Nunes (PSDB) reagiu nesta segunda-feira, 23, à tarde, ao conteúdo da gravação em que o agora afastado ministro de Planejamento, Romero Jucá (PMDB-PR), indica a necessidade de impedir o avanço das investigações da Operação Lava Jato. O tucano é citado pelo peemedebista na conversa entre ele, Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

“Caiu a ficha do Brasil inteiro faz tempo: a Lava Jato prosseguirá, não poupará quem tiver culpa no cartório, ninguém conseguirá detê-la e é bom que seja assim”, afirmou Aloysio, por meio de nota enviada pela assessoria dele. Aloysio teria ficado surpreso com o fato de seu nome ter sido mencionado por Jucá em conversa com o ex-presidente da Transpetro.

Os dois falavam sobre a possibilidade da investigação atingir também integrantes do PSDB, como o senador Aécio Neves, presidente nacional da legenda. Embora cite o nome de Aloysio, Jucá, que estava no Senado à época, não acusa Aloysio de qualquer irregularidade. Na gravação, Machado afirma que a operação “quer pegar todos os políticos”. Ele pergunta a Jucá se a “ficha caiu no PSDB”. Jucá responde: “Caiu. Todos eles. Aloysio, (José) Serra (hoje ministro de Relações Exteriores), Aécio (Neves, senador por Minas Gerais).

Posição do PT

O PT vai usar a primeira crise do governo Michel Temer para tentar anular o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mesmo com Temer agindo rápido e afastando Jucá - depois que veio à tona o diálogo no qual Jucá comenta a necessidade de “estancar essa sangria”, em possível referência à Operação Lava Jato -, senadores do PT farão de tudo para paralisar a comissão do impeachment na Casa.

(Rodrigo Lima com AE)

PF diz que só falta Renan

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirmou que falta apenas o depoimento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para concluir as investigações de um dos nove inquéritos no qual o peemedebista é alvo no âmbito da Operação Lava Jato. A defesa do presidente do Senado pediu que ele pudesse enviar as explicações por escrito, mas a Procuradoria-Geral da República se manifestou contrária à solicitação.

Caberá ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos que apuram o esquema de corrupção da Petrobras, decidir como será o depoimento de Renan. O inquérito investiga suposto pagamento de propina em acordo da Petrobras com o do Sindicato dos Práticos, categoria de profissionais que atua em portos. O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) também é alvo da investigação, que surgiu a partir da delação do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Os dois são investigados por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Tanto a defesa de Renan quanto de Aníbal negam envolvimento no caso. Os delegados da Polícia Federal da equipe da Lava Jato, em Curitiba, disseram que a operação não sofre influência política. “A Lava Jato adquiriu um patamar republicano no Brasil, e a PF, ao lado do Ministério Público Federal e da Receita Federal, não sofre influência política. De modo que não bastam intenções ou declarações de qualquer governo que possam frear as investigações”, disse o delegado Luciano Flores de Lima.

 

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