Diário da Região

30/05/2015 - 00h00min

MÁFIA

Testemunha liga Larranhaga a denúncias contra funerária

MÁFIA

JOHNNY TORRES Márcio Larranhaga (PSC) é vereador e policial rodoviário federal (foto: Johnny Torres/Arquivo)
Márcio Larranhaga (PSC) é vereador e policial rodoviário federal (foto: Johnny Torres/Arquivo)

Um ex-funcionário da funerária Fortaleza ligou o nome do vereador de Rio Preto Márcio Larranhaga (PSC) à chamada máfia das funerárias durante depoimento à Polícia Civil. A testemunha afirmou que viu o parlamentar, que também é policial rodoviário federal, em dois acidentes fatais nos quais as vítimas foram recolhidas pela empresa, com base em informação supostamente privilegiada.

O depoimento do ex-funcionário, que também trabalha em um hospital da cidade, é considerado “bombástico” pelo delegado do 1º Distrito Policial Laércio Cenevica Filho. A testemunha disse ainda que o vereador do PSC é amigo pessoal do dono da funerária e, inclusive, já esteve algumas vezes na sede da empresa. Ele não confirmou, porém, que foi o vereador quem informou a ocorrência de mortes nos acidentes relatados.

O ex-funcionário, que teve sua identidade preservada pelo delegado, afirmou que Larranhaga também fez campanha eleitoral na funerária em 2012. O delegado afirma que a citação do nome do vereador-policial “levanta a suspeita” de que ele poderia ter acionado a funerária para beneficiar o amigo. “(Larranhaga) Pode ser ouvido durante o andamento do inquérito”, adiantou Ceneviva.

A relação do vereador do PSC com o empresário não foi a única informação relevante repassada pela testemunha à polícia. O ex-funcionário afirmou que a empresa teria pago churrasco e até “festa de final do ano” para a Polícia Militar. Ele citou também a doação de caixas de cerveja, mas não teria citado mais detalhes.

Além de identificar Larranhaga durante o recolhimento de corpos após acidentes, a testemunha disse ao delegado que um médico do Samu e até um bombeiro teriam repassado informações privilegiadas para a Fortaleza promover o recolhimento de corpos. O delegado vai tentar identificar quem são esses dois servidores.

Investigação

O ex-funcionário da Fortaleza também trabalha no Hospital de Base (HB) de Rio Preto. Ele revelou ao delegado detalhes do esquema de informações de mortes às empresas funerárias em troca do pagamento de propina. Ele apontou a existência de uma espécie de tabela, que consistia no pagamento de R$ 50 pelas empresas em troca do número de telefones de cinco familiares de mortos. Outros R$ 100 de “adicional” eram pagos caso a empresa conseguisse vender os serviços.

O desafio do delegado é tentar identificar os funcionários, servidores públicos e representantes de empresas que participam do esquema de corrupção no mercado da morte no município. Não se sabe ao certo o volume de propina paga mensalmente, já que apenas no HB são registradas cerca de 400 mortes por mês. Se um funcionário conseguir indicar 10% do total para uma determinada empresa, ele consegue receber R$ 6 mil de propina.

Ontem, Larranhaga afirmou que quando acontece acidentes “ solicitamos ao posto Polícia Rodoviária Federal que acione a Polícia Civil e a perícia técnica”. “As empresas funerárias são acionadas posteriormente”. Ele negou as acusações.

 

valdomiro lopes_JoaoFiscal João Fiscal, que é conhecido pela proximidade com o prefeito Valdomiro Lopes, é investigado por suposto favorecimento a empresa

Prefeitura e MP também investigam caso

Além da Polícia Civil, a disputa de corpos de vítimas de acidentes automobilísticos, assassinatos e mortes em hospitais é investiga pelo Ministério Público e pela Prefeitura de Rio Preto. A Prefeitura abriu sindicância para verificar possível descumprimento do contrato de concessão dos serviços pelas cinco empresas.

Em depoimento ao secretário de Administração, Luís Roberto Thiesi, um ex-funcionário da empresa Fortaleza afirmou que o servidor identificado como “João Fiscal” - que já trabalhou no gabinete do prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB) - receberia pagamento de propina da empresa. O motivo seria evitar a fiscalização, por exemplo, da Vigilância Sanitária. O servidor nega a acusação.

Todas as frentes de investigação estão trocando informações entre si. Nesta semana, o Diário revelou que o promotor de Justiça Carlos Romani requisitou informações sobre o andamento da apuração feita pela Polícia Civil e no Executivo.

Além de funcionários, os proprietários de empresas e outras pessoas que tiveram provblemas com funerárias estão prestando informações na sindicância, na polícia e no Mistério Público. (RL)

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