Diário da Região

07/11/2015 - 00h00min

Enchentes

A culpa é de São Pedro

Enchentes

Sergio Isso Secretário de Obras José Luís Calças (de branco) falou durante audiência pública na Câmara
Secretário de Obras José Luís Calças (de branco) falou durante audiência pública na Câmara

“Não temos uma ligação direta com São Pedro”. Essa foi uma das frases usadas ontem pelo secretário de Obras de Rio Preto, Luís Carlos Calças, para justificar as enchentes registradas nas duas principais avenidas de Rio Preto na última segunda-feira. Ele afirmou também que não tem como prever possíveis atrasos no prazo para a conclusão das obras antienchentes. A previsão, antes da chuva, era de entregar todas as intervenções em abril de 2016.

De acordo com os técnicos da pasta, cerca de 55% do sistema de combate às enchentes já foi concluído, o que foi insuficiente para reter a chuva de 115 milímetros - o equivalente a 115 litros por metro quadrado registra no feriado de Finados. “O problema é a concentração da precipitação. Do jeito que estão, (as obras) não suportam (a chuva)”, disse.

Calças participou de audiência pública na Câmara ao lado do engenheiro Pedro Zacarin, responsável pelo projeto de obras antienchentes - que vão custar R$ 140 milhões - e estão em execução pela empresa Constroeste. O secretário de Obras argumentou que, oficialmente, a previsão de chuva era de apenas cinco milímetros. Durante o encontro, ele afirmou que, sem a conclusão de 100% das obras, uma chuva com intensidade e precipitação concentrada em uma única região pode provocar enchentes nas avenidas. Foi o que aconteceu.

De acordo com Calças, após a execução das obras - que prevê a construção dos piscinões e o interligamento do sistema de mircodrenagem - será possível “acabar com as enchentes”, segundo ele, mesmo quando ocorrer chuvas “centenárias”. “O projeto vai atender a cidade”, disse o secretário. Segundo os técnicos, sem a conclusão das obras de microdrenagem espalhadas por diversos bairros de Rio Preto, a água continuará “correndo” em cima das vias públicas. “E isso que ocasiona as enchentes”, explicou Calças.

Para Zacarin, as bacias dos córregos Borá - sob a avenida Bady Bassitt -, Canela - sob a Alberto Andaló - e o rio Preto sofrem com a falta de sistemas de microdrenagem (bocas de lobo) em todos os bairros construídos ao longo da rodovia Washington Luís. Ou seja, não há galerias de água pluvial. “ E sabemos que o grande segredo é captar água”, disse.

Danos

Zacarin, autor do projeto antienchente, afirmou que as obras do sistema antienchente já prontas foram “sacrificadas” pela densidade da chuva. Na opinião dele, piscinões já construídos contribuíram para evitar prejuízos maiores para o município. Os técnicos mostraram fotografias de piscinões cheios de água da chuva.

Calças esclareceu que se surpreendeu com os estragos registrados na avenida Bady Bassitt, que foram provocados justamente pela falta de conclusão da obra. Ele afirmou que, caso tivesse informação da densidade da chuva, uma das medidas adotadas seria o fechamento do canal em construção na Bady Bassitt.

Logo após a chuva de segunda-feira, o técnico foi chamado às pressas para ir até o gabinete do prefeito Valdomiro Lopes (PSB) para apresentar explicações sobre o que ocorreu. Em propagandas do PSB e da própria Prefeitura, a mensagem passada à população é de que acabar com as enchentes seria uma questão de tempo.

Oposição critica ‘explicações’

Durante a audiência pública, vereadores de oposição questionaram sobre o funcionamento ou não do projeto. Renato Pupo (PSD) afirmou, por exemplo, que sua preocupação não é apenas com a enchente, mas com os cerca de R$ 75 milhões já investidos na obra. “Gasto que me parece inócuo. Não se gasta R$ 75 milhões para conter garoas”, afirmou Pupo durante.

Já Marco Rillo (PT) queria saber de Pedro Zacarin se não seria correto abrir caminhos para a água da chuva ao invés de represá-la. “A filosofia moderna da engenharia hidráulica, no mundo todo, é segurar água, e não soltar”, disse o técnico.

Para os parlamentares, as explicações não convenceram totalmente, tanto que Pupo afirmou que vai insistir em conseguir a última assinatura para instalar uma CPI sobre as obras. “Acho uma CPI desnecessária. Estamos à disposição”, afirmou o secretário de Obras, Luís Carlos Calças.

 

 

 

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