Diário da Região

24/11/2015 - 00h00min

Tragédia

ALL é multada e contorno desaparece

Tragédia

Hamilton Pavam Vagões descarrilados destruíram três casas matando oito pessoas
Vagões descarrilados destruíram três casas matando oito pessoas

A tragédia com o trem da ALL que matou oito pessoas em Rio Preto, em novembro de 2013, completa hoje dois anos, enquanto órgãos do governo federal ainda patinam para evitar que desastre de proporções semelhantes se repita, como temem moradores do Jardim Conceição. A empresa América Latina Logística (ALL) - atualmente Rumo ALL - foi multada em R$ 402,1 mil pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o projeto de contorno ferroviário para tirar os trilhos do perímetro urbano segue uma incógnita.

Segundo a ANTT, a multa de R$ 402,1 mil para a ALL ainda não foi paga porque a concessionária pode recorrer da punição. Antes mesmo de ser autuada, a empresa fez acordo para pagar R$ 10 milhões a familiares das vítimas da tragédia e moradores que tiveram danos materiais com o acidente . Três casas que foram praticamente varridas pelos vagões que descarrilaram foram demolidas. Atualmente, os três terrenos estão à venda, mas os donos alegam que não encontram compradores.

 

Marcos Marcolino - 24112015 Marcos Marcolino, ontem, no terreno varrido pelo ‘trem da morte'

Já o prometido contorno ferroviário, para desviar trilhos do perímetro urbano de Rio Preto, sequer saiu do papel. Procurado ontem para informar sobre o andamento do projeto, o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) não se manifestou. O custo estimado para elaboração do projeto de desvio é de cerca de R$ 4 milhões. A licitação foi concluída no final do mês passado, mas o governo federal não informou ontem previsão de datas de conclusão - a estimativa é de que o estudo demore um ano e quatro meses para ser finalizado. O departamento, que antes tratava o projeto como prioridade, agora permanece em silêncio.

Retirar os trilhos do perímetro urbano também foi promessa da presidente Dilma Rousseff. A obra seria incluída no PAC 3, que, aliás, também não saiu no papel. “Nós vamos incluí-lo no PAC, porque certamente ele será um contorno caro e, portanto, ele é um contorno necessário aqui para a região”, disse Dilma entrevista à FM Diário no dia 4 de abril de 2014, quando veio a Rio Preto inaugurar conjunto de casas populares. Para a ANTT, a concessionária cometeu falhas que provocaram a tragédia, como passar pelo local em velocidade superior à definida pela agência, de 25 quilômetros por hora. O trem estava a 44 quilômetros. 

 

Dormente podre - 24112015 Reportagem do Diário encontrou ontem dormente podre no local

A agência ainda listou outros erros. “A concessionária não realizou serviços de manutenção, conserva e correção de defeitos identificados em inspeções anteriores ao acidente”, informou em nota. Atualmente, o local é seguro, na avaliação do gerente de fiscalização da ANTT, Nelson Marino. “Hoje, o local é bem mais seguro que há dois anos”, afirmou ontem. Quem mora próximo à linha férrea pensa diferente. “O risco de outra tragédia é grande. Os trens estão passando mais rápido de novo. Todo mundo tem medo”, disse Marcos Marconi, vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Conceição.

Indenizações

A ALL pagou R$ 10 milhões em acordos firmados com vítimas da tragédia. A negociação foi conduzida pela Defensoria Pública. Porém, pelo menos duas famílias já pedem na Justiça valores maiores do que receberam. Em outro acordo, este firmado com o Ministério Público, a concessionária se comprometeu a pagar R$ 2,5 milhões para entidades, por dano moral coletivo.

 

Cronologia All Jd Conceição - 24112015 Clique na imagem para ampliar

CPI aponta omissão e ganância

O relatório da CPI da Assembleia Legislativa paulista que investiga acidentes ferroviários no estado será entregue amanhã e vai apontar omissão na fiscalização e que as concessionárias “só visam o lucro”. O relator da comissão que apurou acidentes no Estado de São Paulo, deputado Ricardo Madalena (PR), afirmou ontem que o relatório vai apontar riscos de novos acidentes na malha ferroviária. 

A CPI visitou Rio Preto em setembro. “Há omissão na fiscalização e as empresas só querem faturar. As concessionárias determinam a velocidade dos trens”, disse. O deputado foi superintendente do Dnit, um dos órgãos federais que agora fiscaliza. O relatório não vai sugerir nenhum indiciamento pelo desastre em Rio Preto, ou mesmo em Americana, onde acidente matou dez pessoas.

A ALL afirma que a causa do acidente em Rio Preto foi “colapso de solo”. Versão contestada pela ANTT. A concessionária afirma ainda que tem desenvolvido “projetos voltados à modernização da ferrovia, incluindo adequações tecnológicas, compras de novo vagões e locomotivas”. No mês passado, o Ministério Público denunciou quatro funcionários da ALL por homicídio culposo - quando não há intenção de matar. A Justiça ainda não definiu se irá receber a ação.

 

 

 

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