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16/04/2016 - 12h43min

Brasília

Se impeachment passar, precisamos organizar uma paralisação nacional, diz Stédile

Brasília

João Pedro Stédile, membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou nesta sábado, 16, que, se o impeachment da presidente Dilma Rousseff passar no domingo, 17, na Câmara, os movimentos sociais precisam organizar uma grande paralisação nacional para os próximos dias. A declaração foi dada em evento promovido por movimentos sociais e sindicais em defesa do governo, que contou antes com um discurso do ex-presidente Lula. "Se o impeachment for para o Senado, só há uma maneira de dar o nosso recado: é fazer uma paralisação nacional em todo o País. Isso exige paciência e debate. Vamos discutir nos nossos Estados, construir nos próximos 10, 15 dias uma grande paralisação da produção, dos transportes, das escolas, do serviço público, e dizer que a burguesia não vai ter sossego", afirmou. Segundo Stédile, somente reformas como a agrária, a urbana e a dos meios de comunicação vão alterar a correlação de forças e tirar o governo "dessa emboscada de ficar mendigando votos no Congresso". "O governo precisa criar vergonha e parar de montar ministérios com siglas partidárias que não representam ninguém. Esses partidos conservadores, que fingiam dar sustentação ao governo, só queriam mamar nas tetas do recurso público e agora traíram o governo", comentou. Ele disse que conversou recentemente com Lula e este lhe perguntou se seria a hora de escrever uma nova Carta ao Povo Brasileiro, como o petista fez nas eleições de 2002. Stédile, no entanto, opinou que desta vez o povo é que deveria escrever a carta e enviar ao governo com suas reivindicações. O líder Sem Terra lembrou que, mesmo que a Câmara reprove o impeachment, a "guerra" não estará terminada. Uma das possibilidades é que a oposição pressione o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anular as eleições de 2014, por supostas irregularidades na campanha de Dilma. Stédile disse ainda que, barrado o impedimento de Dilma, o próximo passo é que o Supremo Tribunal Federal (STF) libere - possivelmente no próximo dia 20 - a posse de Lula como ministro da Casa Civil.

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