Diário da Região

01/07/2016 - 00h00min

SAQUEADORES

PF prende Cachoeira e procura Cavendish

SAQUEADORES

Fernando Frazão/ Agência Brasil O bicheiro Carlinhos Cachoeira, segurando a mala, entra em camburão da Polícia Federal. (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)
O bicheiro Carlinhos Cachoeira, segurando a mala, entra em camburão da Polícia Federal. (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 30, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e mais três suspeitos de envolvimento em um esquema que lavou R$ 370,4 milhões em recursos públicos federais. Quinto alvo da operação e apontado como chefe da quadrilha é Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções, que é considerado foragido - está, possivelmente, na Europa, segundo a PF. A empreiteira e 18 empresas de fachada que serviam a ela são apontadas como parte da engenharia montada para lavar o dinheiro.

A Operação Saqueador, planejada pela PF e pelo Ministério Público Federal, apurou que o esquema fraudulento montado em torno da Delta resultou no desvio de verbas destinadas a obras entre 2007 a 2012. São obras superfaturadas ou que sequer foram realizadas. Segundo os investigadores, servidores públicos e políticos receberam propinas da empreiteira, mas nenhum foi nominado na denúncia apresentada nesta quinta.

Foram identificadas três organizações criminosas que agiam em conjunto: uma dentro da Delta, outra liderada por Adir Assad e Marcelo Abbud, donos de empresas fantasmas, e uma terceira por Cachoeira, também proprietário de empresas do gênero. Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, foram presos em Goiânia. Assad e Abbud em São Paulo.

Cavendish embarcou no último 22 do Rio para a Europa, segundo a PF, que não divulgou o destino do voo. O empreiteiro será procurado com a ajuda de Interpol. Ontem cedo, a PF chegou a procurá-lo em seu apartamento, de frente para a praia do Leblon, área nobre da zona sul carioca. No imóvel, os agentes apreenderam um cofre. Da sede da empresa, no Centro, levaram um malote de documentos.

Mais 18 pessoas 14 funcionários da Delta, duas sócias de empresas de fachada e dois contadores - foram denunciadas pelo MPF como operadores do esquema. Todos pelos mesmos crimes: lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A PF foi aos endereços indicados como sedes das empresas de fachada, com as quais eram firmados contratos fictícios, e encontrou um consultório de dentista em Santana de Parnaíba (SP) e uma loja de material de construção na capital paulista, além de residências e áreas descampadas. Segundo os investigadores, as empresas emitiam notas fiscais frias, “limpando” o dinheiro.

Depois, os valores eram sacados em espécie para o pagamento de propinas, disse o procurador Leandro Mitidieri, autor da denúncia. “As investigações foram centradas na Delta, mas (os corrompidos) podem ser desde servidores públicos a políticos.” As notas frias eram expedidas para a Delta e outras empresas corruptas, segundo as investigações.

Entre as obras da Delta que constam da denúncia está a do Parque Aquático Maria Lenk, construído no Rio para o Pan Americano de 2007 com dispensa indevida de licitação, e que agora será usado ma Olimpíada. Outra obra é a transposição do Rio Turvo (RJ), para a qual foram destinados R$ 80 milhões. A transposição jamais aconteceu. Cavendish chegou a ser condenado a quatro anos e meio de prisão em regime semiaberto pelo desvio dessa verba, em 2013.

No Rio, o empresário matinha relação próxima com o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que não é alvo da operação deflagrada nesta quinta.

Apesar de investigada por envolvimento em esquemas de corrupção há pelo menos quatro anos, a Delta continua autorizada a receber dinheiro público. O governo federal a declarou inidônea em junho de 2012 por desvio de verbas federais, mas a decisão foi suspensa ano passado.

No período investigado - 2007 a 2012 -, quase todo o faturamento da empresa Delta (96,3%, cerca de R$ 11 bilhões), foi oriundo de contratos com instituições públicas.

Defesa diz que vai recorrer

A defesa do empresário Fernando Cavendish reagiu “estarrecida” com a decretação de sua prisão e informou que recorrerá da decisão judicial a fim de “reverter esta insuportável ilegalidade”. “A prisão foi requerida nos autos de inquérito policial que tramita há mais de três anos, no qual Fernando Cavendish sempre atendeu às solicitações da autoridade policial, nada justificando a adoção desta medida extrema”, afirmou o advogado Técio Lins e Silva, em nota. A construtora Delta informou que não comentaria a ação da Polícia Federal.

O advogado Miguel Pereira Neto, que defende os acusados Marcelo Abbud e de Adir Assad, disse que o pedido de prisão dos clientes tem expressões de “suposição” e que “quem supõe não poderia concluir com elementos concretos, como consta na decisão”. Pereira Neto argumentou ainda que Adir Assad já cumpre restrições severas impostas pelo Judiciário, como o uso de tornozeleira eletrônica. A defesa de Carlinhos Cachoeira não comentou sua prisão.

O ex-governador do Estado do Rio Sergio Cabral (PMDB) não se pronunciaria sobre suposto esquema criminoso liderado pelo amigo Fernando Cavendish, conforme divulgou sua assessoria.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso