Diário da Região

14/05/2015 - 08h55min

Brasília

Investigação pede a quebra de sigilos de Renan e Collor

Brasília

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedido de quebra de sigilo bancário em inquéritos dos quais são alvo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) e o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC), investigados por suspeita de participação no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. A Procuradoria-Geral da República também solicitou a quebra de sigilos do senador Fernando Collor (PTB-AL), outro investigado na Lava Jato. As solicitações foram enviadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, em 7 de maio. Os pedidos foram protocolados em segredo de Justiça e de forma separada dos inquéritos nos quais os políticos são investigados. Nos casos de Renan, Gomes e Collor, também foi requisitada ao Supremo quebra de sigilo fiscal. O acesso aos dados bancários e fiscais desses políticos tem como objetivo checar depósitos mencionados pelos delatores da Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef disse que fez "vários depósitos" a Collor, além de ter autorizado entregas de dinheiro em espécie ao senador. Ele relatou que em uma das operações a entrega de valores foi feita por seu funcionário Rafael Ângulo, em Alagoas. Considerado "mensageiro" de Youssef, Ângulo também fez acordo de delação premiada, homologada recentemente por Zavascki. No caso de Renan, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ter conhecimento de que parte de valores envolvidos em contratos da estatal era canalizada pelo peemedebista. O delator disse que Aníbal Gomes era um interlocutor do presidente do Senado no esquema. No inquérito que investiga Pizzolatti, a Procuradoria-Geral da República relata que Youssef afirmou que o ex-deputado compunha um grupo de parlamentares do PP que atuava na "operacionalização do esquema de corrupção" de forma "estável e perene". Na quarta-feira à tarde, a PF também pediu diligências nos inquéritos que investigam o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). Não se sabe se esse pedido envolve quebra de sigilo ou outro tipo de solicitação dos investigadores. Os pedidos adicionais de diligências já foram usados pelos investigadores da Lava Jato responsáveis pelos casos envolvendo autoridades. Esse foi o modelo adotado para as buscas de dados na Câmara em investigação cujo alvo é o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Defesas Eugenio Pacelli, advogado de Renan, disse não ter conhecimento do pedido de quebra de sigilos e informou que vai apresentar defesa nesta quinta-feira, 14, ao STF. O advogado de Pizzolatti, Michel Saliba, disse ver com "naturalidade" o pedido de quebra de sigilo e afirmou que a defesa cogitou entregar os extratos bancários espontaneamente. "Se fosse solicitado, nós iríamos abrir o sigilo", afirmou. Os representantes de Collor e Aníbal Gomes não foram encontrados pela reportagem.

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