Diário da Região

11/09/2016 - 00h00min

DEU PARA ELES

De cada cinco prefeitos,2 desistem da reeleição

DEU PARA ELES

Belisário/Editor de Arte clique na imagem para ampliar
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Dois em cada cinco prefeitos da região de Rio Preto desistiram de disputar a reeleição neste ano, mesmo com direito. O motivo mais alegado por quem jogou a toalha é o que alguns deles chamam de “tempestade perfeita”: recessão econômica sem precedentes nos últimos 20 anos e uma profunda crise de representação político-partidária. Nestas eleições, a quinta desde que começou a vigorar a reeleição para prefeitos, em 2000, 78 prefeitos no Noroeste paulista tinham direito a pleitear nas urnas um segundo mandato. Mas 30 deles simplesmente desistiram.

Uma delas é Elizandra Cátia Lorijola Melato (PPS), prefeita de primeiro mandato em Bálsamo. “A política não vale a pena”, resume Cátia, para emendar em seguida: “Os recursos são escassos e a cobrança da população, imensa. Eu me matei para deixar as contas da prefeitura em dia, mas parece que nunca está bom.” A prefeita também reclama da crise de representação política, que se acentuou no País após a Operação Lava Jato. “A classe política está muito manchada. O povo pensa que todos são bandidos, e isso eu não sou.”

Cátia diz contar na folhinha os dias para encerrar o mandato. “Quero cuidar mais da minha filha de dois anos que até agora eu mal vi crescer. Vou ser mãe.” Para Álvaro Martim Guedes, especialista em administração pública da Unesp, a crise econômica escancarou problemas no pacto federativo brasileiro, criado nos anos 1990. “O governo federal transferiu muitas responsabilidades para os municípios, principalmente nas áreas de saúde e educação, sem a contrapartida financeira. Agora que a arrecadação tributária despencou, essa disparidade aflora”, afirma.

Outro articulador político na região entrevistado pelo Diário sob a condição do anonimato lembra outra dificuldade para os prefeitos de cidades menores: como a relação com o eleitor é muito próxima, qualquer corte na máquina pública implica enorme desgaste. “Para cada comissionado que ele corta, fatalmente perde o voto de 15, 20 pessoas, parentes ou amigos daquele funcionário demitido. E isso faz diferença quando a cidade tem menos de 10 mil eleitores”, diz. O desgaste da classe política é um fator agravante, especialmente nos partidos alvos diretos da Lava Jato, como o PT. 

Eleito pelo partido em 2012, o prefeito de Sales, Charles Cesar Nardachioni, trocou o partido pelo PR no início do ano. Mesmo assim, desistiu de buscar um novo mandato em outubro. Oficialmente, alegou ser esse o desejo de sua família. Em Santa Fé do Sul, o prefeito Armando Rossafa Garcia (PSDB) justifica a pessoas próximas a idade avançada - ele tem 76 anos - para ficar de fora destas eleições. “Já dei minha contribuição e darei oportunidade a outra pessoa”, diz. Ele nega que a crise econômica tenha contribuído para sua decisão. “Mesmo com a crise eu continuaria administrando (a cidade).”

 

Arte - Cidades da região - 11092016 clique na imagem para ampliar

Em quatro cidades só há um candidato

Em quatro cidades da região, o candidato a prefeito vai precisar somente de um voto válido para ser eleito no próximo dia 2 de outubro. Nesses municípios, há apenas um candidato ao comando das prefeituras a partir de 2017. A maior delas é Jales, com pouco mais de 50 habitantes. A candidatura única de Flávio Prandi Franco (DEM) simboliza alguma bonança depois de tanta tempestade política. Nice Mistilides (PTB), eleita em 2012 na disputa com o próprio Prandi, acabaria cassada no Carnaval de 2015, acusada de cometer irregularidades na contratação da empresa que faz a coleta de lixo na cidade.

Assumiu o vice, Pedro Calado (PSDB), que não quis disputar a reeleição. Diante do impasse, Franco, que foi vereador no município entre 2001 e 2004 e era gerente regional da CDHU, passou a articular uma candidatura única a prefeito, com o apoio formal ou informal de todas as forças políticas de Jales. “Eu disse aos presidentes dos partidos: por que não nos unirmos? Deu certo.” A coligação de Prandi conta com 13 siglas. PT e PP o apoiam informalmente. O foco de sua gestão, diz, será sensibilizar os governos federal e estadual para a dificuldade econômica enfrentada pela cidade atualmente. Além de Jales, terão somente um candidato a prefeito os municípios de Nova Granada (Tânia Liana Toledo Yugar, PSB), Orindiúva (Maurício Bronca, PMDB, atual prefeito) e Valentim Gentil (Adilson Segura, PSDB).

 

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