Diário da Região

14/09/2016 - 00h00min

RESSACA

Com frase cifrada, Cunha manda recados

RESSACA

José Cruz/Agência Brasil Cunha: depois de cassado, ele afirma que correligionários não receberam o mesmo tratamento
Cunha: depois de cassado, ele afirma que correligionários não receberam o mesmo tratamento

Cassado na última segunda, 12, pelo plenário da Câmara Federal, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) divulgou nota rebatendo os comentários do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em três parágrafos, Cunha reclama que matérias relevantes oriundas da Câmara não foram apreciadas pelo Senado e repete que as investigações da Operação Lava Jato não tiveram as mesmas consequências sobre Renan. Ao final, Cunha alfineta o colega de partido.

"Com todo desejo de sucesso ao presidente do Senado no comando da Casa, e acreditando na sua inocência, espero que os ventos que nele chegam através de mais de uma dezena de delatores e inquéritos no STF, incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade", diz a nota. "E que ele consiga manter o cálice afastado dele", finalizou.

Mais cedo, Renan tentou se distanciar da imagem de Cunha. "Afasta de mim esse cálice", brincou o senador, evitando comentar afirmações de Cunha, que disse ontem na Câmara que as denúncias dos parlamentares teriam um tratamento diferenciado das dele no Supremo Tribunal Federal.

Na sessão de cassação, Cunha reclamou que virou alvo prioritário das investigações. O ex-deputado é réu em dois processos no STF e é alvo de investigação em outras sete frentes. Já o senador não é réu, mas é investigado em 12 inquéritos no STF. "Eu não quero de forma nenhuma falar sobre isso (cassação de Cunha), mas quem planta vento, colhe tempestade, isso é uma lei da natureza", comentou o presidente do Senado.

Nesta terça, Cunha disse que, durante o período em que presidiu a Câmara, não houve matérias de caráter relevante provenientes do Senado que não foram apreciadas pelos deputados, ao contrário do Senado, que não colocou em votação o projeto de terceirização, a redução da maioridade penal, a PEC da Reforma Política, entre outros projetos encampados por Cunha e aprovados pela Casa. "Esperamos que o Senado aprecie essas matérias", destacou.

Cunha lembrou que a ação penal 982 - que envolve delações referentes às negociações de sondas da Petrobras - só atingiu a ele. "Os mesmos delatores, nas suas delações, acusam como beneficiários das supostas vantagens indevidas montando a US$ 6 milhões os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho, Delcídio Amaral e Silas Rondeau”. Entretanto, a ação penal que deveria ser indivisível, segundo o Código Penal, foi aberta apenas contra mim", lamenta o ex-parlamentar.

 

Arte - Deputados - 14092016 clique na imagem para ampliar

Placar

Depois de quase um ano manobrando a Câmara a seu favor, Eduardo Cunha finalmente foi abatido. E de forma avassaladora. Foram 450 votos pela suas cassação, dez contra e nove abstenções. Outros 42 parlamentares se ausentaram.

 

 

Cassado, ele perde foro privilegiado

Após ter o mandato de deputado cassado pela Câmara, Eduardo Cunha perdeu o direito ao foro privilegiado e as investigações contra o peemedebista que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser encaminhadas à justiça comum. O relator da Lava Jato na Corte, ministro Teori Zavascki, disse que analisa o envio dos inquéritos para a primeira instância. “Em tese pode ir para primeira instância. Vou analisar”, afirmou.

Cunha responde a duas ações penais e é alvo de mais cinco inquéritos perante o Tribunal. As apurações devem ter destinos diferentes. Apenas um caso deve permanecer no STF, por conter entre o rol de investigados outras autoridades com foro privilegiado, como deputado André Moura (PSC-SE). Neste caso, Cunha e um grupo de aliados são suspeitos de utilizarem requerimentos na Câmara para prejudicar o Grupo Schahin.

Mesmo com a remessa das demais investigações para a justiça comum, nem todos os casos devem ser remetidos ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba (PR). Duas apurações não estão ligadas ao esquema de corrupção na Petrobras e, no Tribunal, estão sob os cuidados dos ministros Dias Toffoli e Celso de Mello. Estes dois casos devem ser remetidos à Justiça comum em Estados onde o suposto crime teria ocorrido. As varas que receberão as investigações ainda não foram definidas.

Exemplo para o mundo todo 

O deputado cassado Eduardo Cunha se transformou em garoto propaganda de uma campanha contra a corrupção pelo mundo. Lançada pela entidade Transparência Internacional, em Berlim, a iniciativa tem como objetivo conscientizar a opinião pública mundial sobre os riscos do trust. Segundo os organizadores do projeto, Cunha é o "Mr. Trust do Brasil". 

Em um vídeo promocional, os organizadores apontam que analisaram 213 casos de corrupção em 80 países pelo mundo. Desses, 70% deles usaram "algum tipo de veículo secreto" para "esconder dinheiro ilícito". "Um desses veículos é o Trust", aponta a Transparência Internacional, que destaca o mecanismo como instrumento que permite que pessoas transfiram ativos a um administrador.

Esse gerente o administra em nome de um grupo ou de uma pessoa. A campanha alerta que esse mesmo trust pode ser usado para "esconder ativos". Segundo a entidade, ele é beneficiário de um trust, que por sua vez usa um banco suíço. Ao apresentar Cunha, a entidade com sede na Alemanha diz que "Mr. Trust é um dos políticos mais poderosos investigados pelo Ministério Público" e mostra como o inquérito se refere a seu papel no "escândalo de corrupção da Petrobras".

 

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